Conselho de Ilha da Terceira indica sete pontos positivos e nove negativos no Plano de Investimentos
22 de out. de 2024, 18:03
— Lusa/AO Online
“Algumas reivindicações que constavam
de planos anteriores continuam sem resposta e outras desapareceram sem
justificação de pormenor”, lê-se no parecer, a que a Lusa teve acesso e
que aponta ainda para “a dificuldade de identificar espacialmente os
investimentos exclusivamente afetos à ilha Terceira”.O
Conselho de Ilha da Terceira já tinha discutido a anteproposta de Plano
de Investimentos da Região para 2025, no dia 07 de outubro, mas os
conselheiros decidiram criar um grupo de trabalho, para reunir
contributos das várias entidades representadas.Nessa
reunião foi decidido ainda que o parecer não faria uma avaliação
positiva ou negativa do documento, apresentando apenas uma listagem de
aspetos positivos e negativos.O documento
aprovado indica sete pontos positivos nos investimentos
previstos para a ilha, entre os quais uma verba de 4,7 milhões de euros
na requalificação da Aerogare Civil das Lajes e uma verba de 200 mil
euros para “promover a angariação de novos fluxos turísticos e campanhas
promocionais”, ainda que considerem este último montante “residual,
atendendo ao fim a que se destina”.Os
conselheiros destacam ainda o investimento de cerca de 2,3 milhões de
euros na reabilitação da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade e
um investimento num montante semelhante na ampliação do Parque de
Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira (TERINOV).O
parecer realça também um investimento de cinco milhões de euros para a
ampliação do cais multiúsos do Porto da Praia da Vitória, “revindicação
de longa data” do Conselho de Ilha, para que “se potencie a crescente
procura de navios de cruzeiro e proporcione um espaço para a carga e
descarga de mercadorias”.Ainda nos pontos
positivos, são elencados um investimento de perto de 1,3 milhões de
euros na construção de infraestruturas de apoio à pesca no porto de São
Mateus da Calheta e o alargamento do programa “Novos Idosos” a todas as
ilhas, com um alerta para a “necessidade de aumento de vagas” no
concelho da Praia da Vitoria.Já pela
negativa, os conselheiros referem “o crescente abandono da rede viária”,
defendendo que as estradas da ilha “carecem de uma intervenção de fundo
e estruturada”.Alegam ainda que foi
“retirado o investimento no Centro Interpretativo da Batalha da Salga e
não houve evolução no Centro de Investigação e Interpretativo da Base
das Lajes, que se mantém sem alteração desde 2022”.Outro
ponto negativo é “o desaparecimento por completo do projeto ‘Terceira
Tech Island’”, que, segundo os conselheiros, “revela que a ilha deixou
de ser parte de uma estratégia de futuro na aposta das novas tecnologias
e captação de empresas nessa área”.O
Conselho de Ilha alerta para as “crescentes necessidades de mão de obra,
em áreas como a restauração, a construção, a agricultura e os
transportes terrestres” e “considera urgente que a ilha Terceira tenha
uma estratégia pensada, estruturada e com previsibilidade, no que
concerne às ligações aéreas da ilha ao exterior”.O
parecer aponta também como negativa “a demora em assumir o Porto da
Praia da Vitória como importante polo de receção e distribuição de
mercadorias nos Açores”, tendo em conta o estudo realizado sobre
transporte de mercadorias na região.“Estamos
bastantes reticentes [em relação a] que a pressão de alguns seja no
sentido de desconsiderar a conclusão óbvia da importância do Porto da
Praia da Vitoria, no panorama regional, em detrimento de um qualquer
interesse particular e de ilha”, é indicado no documento.Os
conselheiros criticam a “redução significativa do investimento
inscrito” para a construção do novo laboratório Serviço Especializado de
Epidemiologia e Biologia Molecular, que passa de 100.000 para 30.000
euros, lembrando que a ação “é sucessivamente inscrita em plano sem que
haja qualquer execução”.Alertam ainda para
a necessidade de intervenção no acesso de emergência ao hospital da
ilha e na estrada que liga as freguesias do Raminho e da Serreta,
“considerando a situação sismovulcânica” local.É
também reivindicada a implementação de políticas públicas de apoio à
transição digital das instituições particulares de solidariedade social
(IPSS).O Conselho de Ilha é um órgão
consultivo do Governo Regional dos Açores composto por autarcas e
representantes de organizações sociais, ambientais, culturais e
empresariais da ilha, bem como deputados e um membro do executivo, que
não têm direito a voto.