Conselho de Ilha da Terceira critica falta de investimento em estradas, agricultura e habitação no Plano para 2027

Hoje 14:30 — Lusa/AO Online

“Aos conselhos de ilha não cabe dizer se votam favorável ou não favoravelmente, porque não tem relevância nenhuma do ponto de vista prático dizer que se dá parecer positivo ou parecer negativo. Esse tipo de postura acaba por até esconder depois aquilo que efetivamente interessa ou não, que é realçar o que o Plano e o Orçamento têm de bom e o que têm de mau, onde concordamos e onde discordamos”, disse aos jornalistas, o presidente do Conselho de Ilha da Terceira, Marcos Couto.Há vários anos que o órgão consultivo opta por não emitir um parecer generalizado sobre a anteproposta.Reunidos em Angra do Heroísmo, os conselheiros votaram por unanimidade um parecer, em que indicam pontos positivos e negativos no documento apresentado pelo Governo Regional, que será votado na Assembleia Legislativa dos Açores, em novembro.O Conselho de Ilha destacou como positivas as obras no Porto da Praia da Vitória, no Porto das Pipas e na Aerogare Civil das Lajes, a conclusão das obras de criação do Centro de Interpretação do Algar do Carvão, a construção do Centro de Dia da Ribeirinha e da Unidade de Cuidados Continuados do Lar D. Pedro V e a requalificação do Convento das Concepcionistas.Como pontos negativos apontou a falta de investimento na rede viária regional, a diminuição do investimento no setor agrícola, a falta de uma política de habitação pública para a classe média, a ausência de obras no molhe de proteção do porto de pescas de São Mateus e a necessidade de manutenção de edifícios públicos de relevo cultural.Durante a discussão, o vice-presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Guido Teles, salientou que o Plano de Investimentos para 2027 prevê uma dotação de 14,9 milhões de euros na rede viária na ilha de São Miguel, enquanto na ilha Terceira a mesma área contempla apenas 721 mil euros.“Estamos perante uma diferença superior a 20 vezes e estamos a falar de fundos próprios da região”, salientou.O autarca defendeu ainda a necessidade de “ligações aéreas regulares, frequências adequadas, lugares disponíveis e preços competitivos” para a ilha Terceira.“A evolução recente da atividade turística demonstra que precisamos de acompanhar com especial atenção as dificuldades que o setor enfrenta”, frisou.Também a presidente do município da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, lamentou o “estado lastimável” das estradas da ilha, apelando a que a região assuma as suas responsabilidades.A autarca pediu ainda uma “tomada de posição incisiva” do Conselho de Ilha sobre a situação do turismo na ilha Terceira, vincando que “tem um impacto socioeconómico muito grande”.O presidente do Conselho de Ilha, que lidera a Câmara de Comércio e Indústria da Ilha Terceira, mostrou-se, no entanto, mais otimista, perspetivando que em 2027 a Terceira “vai ser a ilha que mais vai crescer no turismo nos Açores”, fruto de um trabalho de promoção que a associação empresarial está a desenvolver com o município de Angra do Heroísmo.“Vamos crescer mais do que este ano e estou perfeitamente convicto que esse trabalho depois terá continuidade nos próximos anos e reflexos diretos na economia da ilha Terceira e também, espero, no Grupo Central”, vincou aos jornalistas.O diretor regional da Educação, Rui Espínola, que interveio na discussão em representação do executivo açoriano, lembrou que nos últimos anos foram concluídos “investimentos significativos” na ilha Terceira, por exemplo, nas áreas da Saúde e da Habitação.“É evidente que há sempre investimentos a fazer. O que o Governo fez foi estabelecer prioridades”, apontou.O parecer do Conselho de Ilha da Terceira não faz referência a investimentos na área da saúde, mas os conselheiros voltaram a manifestar preocupação com uma eventual concentração de serviços na ilha de São Miguel.Em março, o Conselho de Ilha entregou ao presidente do Governo Regional um documento com a sua visão sobre o Serviço Regional de Saúde e esta semana reuniu-se com a titular da pasta.As respostas da secretária regional não tranquilizaram Marcos Couto, que reiterou que a dimensão do futuro hospital de Ponta Delgada, afetado por um incêndio em maio, “terá um impacto nas contas regionais, a longo prazo, que é preocupante”.“Os habitantes do Grupo Oriental dos Açores têm, obrigatoriamente, de ter acesso a cuidados de saúde dignos. Outra coisa completamente diferente é, a pretexto deste cuidado que tem de existir aos habitantes da maior ilha dos Açores, criarmos uma megaestrutura que irá hipotecar definitivamente a economia da região”, salientou.