Conselho da Europa preocupado com redução de ajuda a refugiados ucranianos
Ucrânia
Hoje 10:40
— Lusa/AO Online
“É
tempo de recuperar o espírito de acolhimento e generosidade que foi tão
evidente em 2022”, quando a Rússia lançou a sua agressão militar em
larga escala, afirmou, em comunicado, o comissário da organização,
independente das instituições da UE e defensora dos direitos humanos.O'Flaherty
alertou para o “crescente cansaço” em vários países europeus e para a
erosão dos apoios detetada nos debates, tanto a nível nacional como na
UE, sobre o futuro do estatuto de proteção temporária concedido a
milhões de ucranianos deslocados.A União
Europeia prorrogou recentemente o regime de proteção temporária para os
cidadãos ucranianos até março de 2027, mas o comissário avisou que uma
eliminação “lenta e gradual” deste estatuto pode deixar as pessoas mais
vulneráveis sem apoio, numa altura em que a guerra na Ucrânia “se
intensificou”.Segundo O'Flaherty, alguns
países europeus já começaram a substituir a proteção temporária por
outras autorizações de residência previstas nas suas legislações
nacionais, o que pode levar muitos refugiados a ficarem excluídos por
não cumprirem requisitos rigorosos relacionados com o emprego, recursos
financeiros ou educação.O comissário
denunciou ainda o aumento do sentimento antiucraniano em alguns
Estados-membros, “por vezes alimentado por retórica populista”, e
lamentou que certos governos tenham reduzido a proteção e a ajuda,
especialmente no que diz respeito à habitação e à assistência social. Na
sua opinião, estas restrições podem criar uma pressão indevida para
forçar os refugiados a regressar prematuramente à Ucrânia, mesmo que
“nenhuma região do país seja segura”.Por
isso, o responsável criticou alguns países que rejeitam os pedidos de
asilo de pessoas provenientes de regiões ucranianas consideradas
seguras, uma prática que, alertou, pode violar o princípio internacional
da não-repulsão.O comissário recordou
que, ao longo do último ano, os ataques russos contra infraestruturas
civis, incluindo hospitais, escolas e redes de energia, resultaram num
nível “sem precedentes” de vítimas civis.O’Flaherty
sublinhou a necessidade de estabelecer soluções estáveis e de longo
prazo que permitam aos ucranianos reconstruir as suas vidas e planear o
seu futuro.Composto por 46
Estados-membros, o Conselho da Europa é a principal instituição
pan-europeia dedicada à defesa da democracia, do Estado de direito e dos
direitos humanos, desde a sua criação, em 1949.