Conselho da CIP considera essencial reforço orçamental do SNS
14 de set. de 2021, 08:45
— Lusa/AO Online
Numa carta
enviada ao ministro das Finanças e à ministra da Saúde, a que a agência
Lusa teve acesso, João Almeida Lopes, deste órgão de consulta da CIP,
insiste na proposta da criação de uma Lei de Meios do SNS, “que permita
orçamentação plurianual, previsibilidade e estabilidade financeira”.Apela
igualmente a que a mobilização das verbas previstas no Programa de
Recuperação e Resiliência “seja efetiva e não ponha em causa os
investimentos previstos como a financiar pelo OE [Orçamento do Estado]”.Na
missiva, o Conselho Estratégico Nacional da Saúde da CIP pede uma
reunião aos responsáveis das Finanças e da Saúde no âmbito da discussão
do Orçamento do Estado para 2022 para melhor explicar as propostas.A
carta sublinha igualmente a importância de um programa específico para
recuperar atividade assistencial que sofreu atrasos por causa da
covid-19 e alerta para a necessidade de pugnar pela regularização de
todos os pagamentos em atraso, lembrando que as dívidas vencidas do SNS
não têm parado de crescer durante este ano e já atingem os 675 milhões
de euros.“A
dívida assumida como ‘Pagamentos em atraso (dívidas por pagar há mais
de 90 dias)’ aumentou 524M€ desde o início do ano e faz temer pelo valor
total da dívida do SNS”, sublinha.O
Conselho Estratégico Nacional da Saúde frisa ainda que a gestão
financeira e orçamental do SNS “faz com que o Estado viole a lei
relativa aos prazos de pagamento”, sublinhando que “a situação
financeira do SNS é totalmente anómala no âmbito das administrações
públicas e tem vindo, progressivamente, a agravar-se”.“Há
um ano, a Saúde representava 50% dos pagamentos em atraso e em Julho de
2021 representa 74,4% dos pagamentos em atraso de todas as
administrações públicas”, sustenta.A
missiva lembra que já em maio o Conselho de Finanças Públicas (CFP)
tinha publicado um estudo sobre a “Evolução do Desempenho do Serviço
Nacional de Saúde em 2020” que demonstrava o “enorme impacto” da
pandemia na redução da atividade assistencial, “reforçando, assim, a
necessidade de se avançar para reformas”.Recorda
que já nessa altura o CFP alertava que a menor atividade de consultas
médicas presenciais se tinha refletido negativamente no acompanhamento
adequado dos utentes do SNS, com particular incidência na redução da
capacidade de diagnóstico precoce, na resposta atempada à doença aguda e
de seguimento regular de quem vive com doenças crónicas, “acarretando
riscos acrescidos para o estado de saúde da população e para a eficácia e
eficiência da resposta global do SNS”.Lembra
igualmente que, em novembro de 2020, a própria “nota explicativa” do
Ministério da Saúde sobre o Orçamento para 2021 (que à data não
considerava o impacto da pandemia nos meses de Fevereiro e Março do
corrente ano), reconhecia “que também no corrente exercício não seria
possível o SNS voltar ao nível de cuidados assistenciais anterior ao da
pandemia”.Para
além da atividade corrente, lembra a missiva, “há que recuperar
atividade não efetuada em 2020, desde rastreios, meios de diagnóstico,
consultas presenciais nos cuidados primários, volume assistencial
hospitalar (consultas e cirurgias) e, também cumprir o objetivo do
Governo de atribuir médicos de família a todos os utentes inscritos no
SNS”.Quanto
à situação financeira, o Conselho Estratégico reconhece que “em 2020
houve reforço de verbas para combater a pandemia”, mas sublinha que,
ainda assim, se manteve “o padrão de subfinanciamento do SNS”,
recordando as anteriores posições assumidas pelo CFP quanto a esta
matéria, que indicava a prevalência de défices orçamentais e de dívida
estrutural, fruto do ritmo do crescimento da despesa corrente.Na
defesa de “um orçamento adequado para a saúde”, a missiva defende que a
dotação final de 2021 (transferência do OE para o SNS) deverá ser de
10.932 milhões de euros, ou seja, mais 417M€ do que o orçamento inicial,
e “a dotação inicial para 2022 deverá ser de 11.115M€, o que
corresponde a um aumento de 600M€ face à verba (suborçamentada) prevista
no OE2021”.