Conselho consultivo reivindica quotas de pesca específicas para regiões ultraperiféricas
28 de set. de 2021, 17:00
— Lusa/AO Online
“Queremos
uma discriminação positiva naquilo que diz respeito às regiões
ultraperiféricas. Considerando a forma sustentável como a nossa frota
pesca nas regiões ultraperiféricas, não concordamos com a forma como são
aplicadas as quotas em certas espécies”, adiantou, em declarações à
Lusa, o vice-presidente do CCRUP Gualberto Rita, que é também presidente
da Federação de Pescas dos Açores.O órgão
consultivo, que integra associações das regiões ultraperiféricas (RUP)
de Portugal, Espanha e França, reuniu-se hoje, em assembleia geral (pela
primeira vez, de forma presencial, desde que foi criado), na cidade da
Praia da Vitória, nos Açores, onde tem sede.As
quotas de captura de peixe na União Europeia são atribuídas aos
Estados-membros, que as distribuem pelas suas regiões, mas Gualberto
Rita defende que as regiões ultraperiféricas devem ter uma discriminação
positiva e dá o exemplo dos Açores.“A
quota dos tunídeos é aplicada aos Estados-membros, que depois, por sua
vez, distribuem pelas regiões e nós temos sido afetados. A nossa
reivindicação é que haja uma quota específica, independentemente do que
vai para o Estado-membro, só para as regiões ultraperiféricas”,
salientou, à margem da reunião.O
presidente da Federação de Pescas dos Açores alertou, por outro lado,
para o envelhecimento da frota de pescas nas RUP, reivindicando um
“apoio específico” para a sua renovação.Quanto
ao Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura
(FEAMPA) para o próximo quadro comunitário (2021-2027), disse que deve
“manter os fundos de compensação” e rever os critérios de apoio às
pescas artesanais, abrangendo as embarcações de maior dimensão.“Para nós, a pesca artesanal tem de ser vista pela arte de pesca que se pratica e não pelo tamanho da embarcação”, justificou.Também
o secretário regional do Mar e das Pescas dos Açores, Manuel São João,
defendeu que as regiões ultraperiféricas devem ter um “tratamento
diferenciado”, tendo em conta as “artes de pesca que são utilizadas, que
contribuem decisivamente para a sustentabilidade dos oceanos”.“Reivindicamos
que seja dado um tratamento diferenciado a todo o setor das pescas,
quer quanto às quotas, quer quanto a todo o tratamento do pescado”,
apontou.Manuel São João disse que o
objetivo dos Açores é “evitar cortes nas quotas e, se possível,
aumentar”, mas reconheceu que tem existido “entendimento” com o Governo
da República na distribuição das quotas atribuídas a Portugal.“Temos
tido um diálogo constante e algum entendimento, como aconteceu ainda
este ano com espécies que esgotámos a quota e acabou por ser reforçada.
Pensamos que devemos manter esta postura de diálogo”, apontou.A
secretária de Estado das Pescas, Teresa Coelho, garantiu que a
repartição de quotas em Portugal tem sido feita “de acordo com os
critério históricos” e que tem havido uma “excelente colaboração” com as
regiões ultraperiféricas do país.Segundo
Teresa Coelho, este ano, por exemplo, houve uma espécie em que “toda a
quota” atribuída a Portugal foi utilizada pelos pescadores dos Açores.“Pelo
facto de o continente ter quota que não é usada, não vamos ficar com a
quota para nós. Podíamos trocá-la por outras espécies, com outros
Estados-membros, mas sabemos que a Região Autónoma dos Açores, no caso,
precisa de quota, nós cedemos essa quota”, avançou.“A boa colaboração existe e estamos sempre a melhorá-la”, acrescentou. Por
sua vez, a Diretora-Geral dos Assuntos Marítimos e das Pescas da
Comissão Europeia, Charlina Vitcheva, disse “as quotas são atribuídas
aos Estados-Membros”, mas defendeu que deve haver uma discriminação
positiva das RUP.“É o que reivindicamos,
mas podemos apenas recomendar. Para nós o mais importante é que os
critérios da distribuição das quotas pelas comunidades piscatórias sejam
objetivos e transparentes”, adiantou.Charlina
Vitcheva salientou, por outro lado, que o FEAMPA tem uma verba
específica para as regiões ultraperiféricas e que existem apoios para
compensar os “custos adicionais” da insularidade e da distância.“Há
uma obrigação no programa operacional de ser criado um plano de ação
específico para o desenvolvimento das regiões ultraperiféricas e os
Estados-membros devem demonstrar que têm em conta os desafios das pescas
artesanais e de pequena dimensão”, frisou.