Conselheiro na Califórnia antecipa poucas deportações na comunidade portuguesa
26 de jan. de 2025, 15:38
— Lusa
“Na comunidade
portuguesa eu digo que não vai ter muito impacto", porque "na comunidade
portuguesa, comparando com os outros países da América Latina, somos
poucos”, disse à Lusa o conselheiro. Manuel
Bettencourt indicou que, até agora, não recebeu “absolutamente nada” em
termos de pedidos de informação ou potencial ajuda em relação ao
processo de deportações maciças anunciado por Trump. O
conselheiro sublinhou que o número de portugueses que residem
ilegalmente na Califórnia é baixo e que a imigração portuguesa para os
Estados Unidos tem diminuído ao longo das últimas décadas. “Eu
quando emigrei há 50 anos, éramos dez mil, onze mil que vinham para os
Estados Unidos”, enquanto “no ano passado vieram menos de mil pessoas
para os Estados Unidos”, lembrou. No mais
recente relatório dos Serviços de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla
inglesa), responsáveis pelas operações de detenção e deportação de
estrangeiros considerados prejudicais à segurança das comunidades
norte-americanas ou que violam as leis da imigração e asseguram
investigações ligadas à segurança nacional, consta que 69 portugueses
foram repatriados em 2024, um ligeiro aumento em relação a 2023 (mais
nove). Mas estes são número muito pequenos
face aos objetivos da nova administração Trump, que fala na deportação
de milhões de pessoas indocumentadas no país. Esse
é um cenário que Manuel Bettencourt considera difícil de concretizar,
devido à magnitude logística. “Na minha opinião, isso não vai
acontecer”, referiu, considerando que o alvo será sobretudo colocado
naqueles que cometerem crimes. Por outro
lado, salientou que na Califórnia há muita necessidade de mão-de-obra
para a agricultura e é difícil contratar americanos, o que torna
necessário o recurso a imigrantes. Bettencourt
deu o exemplo do empresário português Manuel Eduardo Vieira, conhecido
como “rei da batata-doce”, que emprega mais de mil pessoas nas suas
instalações e não sabe quantas podem estar em situação de ilegalidade. “Tem muito poucos portugueses lá. A maioria é da América Latina”, frisou o conselheiro. Com
uma grande comunidade portuguesa oriunda dos Açores na Califórnia e
noutras partes dos Estados Unidos, o governo regional está “em
articulação” com o Governo da República, para lidar com eventuais
deportações de portugueses em situação irregular, segundo o ministro dos
Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Bettencourt
referiu que teve conhecimento de poucos casos de deportações de
portugueses durante a primeira administração de Trump, salientando que
foram sobretudo na costa Leste.Desse lado
do país, onde Francisco Ferreira exerce o cargo de conselheiro das
comunidades em Washington, D.C., há mais preocupação. “Tenho sido um
crítico desde o início”, disse o conselheiro à Lusa, considerando que o
novo Presidente “não tem qualquer respeito pela Constituição”. Uma
das ordens executivas relativas a imigrantes é a tentativa de acabar
com a cidadania por nascimento, um direito que é salvaguardado pela 14.ª
Emenda. “Não me importo com o debate, mas
ele está a abordá-lo de uma perspetiva discriminatória e xenófoba”,
considerou o conselheiro das comunidades. Ferreira
pediu esclarecimentos ao Governo de Portugal e diz que, até agora, não
lhe parece que a questão esteja a ser encarada “com a seriedade que ela
merece”. Há oficialmente 1.454.262 pessoas de origem portuguesa a residir nos Estados Unidos, de acordo com o Censo de 2020.