Congresso internacional em Coimbra homenageia Saramago 20 anos depois do Nobel
8 de out. de 2018, 10:11
— Lusa/AO Online
Hoje,
quando passam exatamente 20 anos sobre o anúncio da atribuição do Nobel
da Literatura a Saramago, será também publicado o "Último Caderno de
Lanzarote", inédito do escritor, derradeiro volume do diário que
escreveu ao longo dos 17 últimos anos de vida, quando se fixou nesta
ilha das Canárias.O
congresso, organizado pelo Centro de Literatura Portuguesa (CLP) da
Universidade de Coimbra e pela Câmara Municipal, vai contar com a
presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do
ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, da presidente da
Fundação José Saramago, Pilar del Río, na sessão de abertura, hoje, às
09:30 hoje."A
expectativa do congresso é dupla. Primeiro: que se faça uma atualização
do conhecimento em torno do escritor, nestes 20 anos subsequentes à
atribuição do Prémio Nobel da Literatura e também naqueles que se
seguiram à sua morte, em 2010. Segundo, que essa atualização abra novas
pistas de análise da obra de Saramago, especialmente em âmbito
académico", sublinhou o coordenador da comissão executiva do congresso, o
professor Carlos Reis.Durante
o primeiro dia, será entregue o primeiro prémio do concurso de ensaio
sobre José Saramago, destinado a estudantes do ensino secundário. Logo
após a abertura, de acordo com o programa, terá lugar a apresentação do
"Último Caderno de Lanzarote", pelo professor de Literatura da
Universidade de Coimbra Carlos Reis.De
acordo com a FLUC, do programa constam conferências plenárias por
docentes da Universidade do Rio de Janeiro, Universidade de Leeds,
Universidade de Bolonha, realizando-se ainda três mesas plenárias
centradas nos temas "Personagens e identidades", "Diálogo sobre Deus e
Saramago" e "Outros Saramagos: ‘transmediações’".A
dimensão da "ilha desconhecida", em Saramago, as "cartografias
imaginárias" e "representações de espaços distópicos", num paralelo
entre o escritor português, o angolano José Eduardo Agualusa e o
brasileiro Ignácio Loyola de Brandão, a "glória das personagens" do
Nobel da Literatura ("figuras impalpáveis merecedoras de estátua"),
alegorias, religião e mito em “As intermitências da morte”, as
"estratégias narrativas em José Saramago", a "forma estética e
consciência histórica", na sua obra, assim como "o conceito de
cidadania" são temas em discussão ao longo dos próximos três dias.A
obra é abordada, de "Levantado do Chão" a "Jangada de Pedra" e
"Memorial do Convento", de "O Ano da Morte de Ricardo Reis" e "O
Evangelho segundo Jesus Cristo", a "Ensaio sobre a Cegueira", "O Homem
Duplicado", "Caim" ou "A Viagem do Elefante".Ao
todo, durante os três dias de congresso, serão apresentadas cerca de 60
comunicações e deverão participar mais de 300 pessoas, entre docentes,
investigadores, alunos e público em geral.O
encerramento do congresso estará a cargo da presidente da Fundação José
Saramago, Pilar del Río, sendo posteriormente apresentada uma adaptação
dramatúrgica de "O Ano da Morte de Ricardo Reis", pela companhia Éter.José
Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga do Ribatejo. Publicou o
seu primeiro livro, "Terra do Pecado", em 1947, seis anos antes de
concluir o romance "Claraboia", publicado apenas após a sua morte.Foi
responsável pelo catálogo da Editorial Estúdios Cor, desde o final dos
anos de 1950, traduziu e fez crítica literária, antes de regressar à
escrita em 1966, com "Os Poemas Possíveis". Entrou no Diário de Lisboa, em 1971, como editorialista, e no Diário de Notícias, em 1975, como diretor-adjunto.Em
1976 instalou-se na aldeia de Lavre, na região de Montemor-o-Novo, para
escrever sobre "camponeses sem terra". O projeto deu origem ao romance
"Levantado do Chão", publicado em 1980, que, de acordo com
investigadores, estabeleceu "o modo de narrar" característico da ficção
novelesca de José Saramago.Até
à morte, em 2010, Saramago construiu, com mais de 40 títulos que
atravessam diferentes géneros literários, "uma obra determinante na
literatura portuguesa e universal", segundo os seus editores.No
ano de 2007 foi criada uma fundação com o seu nome, que trabalha pela
difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio
ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos
Direitos Humanos. Desde 2012, a Fundação José Saramago tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa.José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Nobel de Literatura em 1998.O
congresso "José Saramago: 20 anos com o Prémio Nobel", que abre hoje em
Coimbra, conta com o apoio da Universidade de Coimbra, da Fundação José
Saramago e da Porto Editora.