Congresso dos EUA iniciou audiências públicas para a destituição de Trump
13 de nov. de 2019, 18:33
— Lusa/AO Online
As
audiências públicas do processo de ‘impeachment’ estão a ser
transmitidas em direto por vários canais televisivos norte-americanos,
mas a Casa Branca já informou que o Presidente não está a assistir aos
trabalhos no Congresso, porque “está a trabalhar”.William
Taylor, o principal diplomata na Ucrânia, e George Kent, funcionário
sénior do Departamento de Estado são as duas primeiras testemunhas nas
audições públicas do inquérito para destituição, em que o Partido
Democrata procurará demonstrar a sua tese de que Trump abusou do
exercício de poder no exercício do cargo.William
Taylor apresentou factos que estão na base da argumentação para o
inquérito para a destituição: a retenção de cerca de 400 milhões de
dólares (quase 400 milhões de euros) de ajuda militar à Ucrânia, até que
o Presidente desse país da Europa de Leste aceitasse investigar a
investigar a atividade da família de Joe Biden, ex-vice-Presidente e
atual rival político do Presidente norte-americano.Na
sua declaração inicial, o presidente do comité de inteligência da
Câmara de Representantes, Adam Schiff, mencionou o papel relevante de
Rudolph Giuliani, advogado do Presidente, na pressão sobre o Presidente
ucraniano para que investigasse um alegado caso de corrupção envolvendo
um filho de Joe Biden, criando um canal diplomático paralelo e ilegal
nas relações com outros países.Schiff
criticou ainda Trump por se ter recusado a cooperar com o inquérito para
a destituição, dizendo que o Congresso considerará se houve obstrução
de justiça por parte da Casa Branca, o que poderá constituir novo
terreno para o processo de ‘impeachment’.Sobre
o caso ucraniano, William Taylor disse que Donald Trump tinha uma
política para com a Ucrânia mais competente do que aquela conduzida pelo
seu antecessor, Barack Obama, mas que o atual Governo deitou por terra
essa estratégia, por razões políticas domésticas, referindo-se ao pedido
de investigação a Joe Biden.Taylor disse
que ficou surpreendido por Trump ter ordenado uma suspensão ao apoio
financeiro à Ucrânia, que poderia ser por tempo indeterminado, para
garantir que o Governo ucraniano investigaria o caso de corrupção
envolvendo Hunter Biden, filho de Joe Biden, atual candidato nas
eleições primárias do Partido Democrata.O
principal diplomata norte-americano na Ucrânia explicou que vários
membros da administração tentaram convencer Trump a levantar a suspensão
da ajuda financeira à Ucrânia, mas que o Presidente demorou muito a
autorizar a transferência de dinheiro (que apenas ocorreria um mês
depois do telefonema ao Presidente ucraniano).Taylor
disse ainda que funcionários da Casa Branca ouviram Donald Trump
falando ao telefone com diplomatas a quem interrogava sobre o avanço das
investigações à empresa ucraniana a que esteve ligado o filho de Joe
Biden.