Congressista luso-americano considera ultrajantes aspirações expansionistas de Trump
10 de jan. de 2025, 11:30
— Lusa/AO Online
"Com
Trump, nunca conseguimos adivinhar quais são as suas intenções. Mas é
ultrajante a noção de que, de alguma forma, o Canadá se tornaria o 51.º
estado da América. Não faz sentido. E a Groenlândia tornar-se parte dos
Estados Unidos? Não faz sentido. E, a propósito, a Dinamarca é um aliado
da NATO", sublinhou Jim Costa em declarações a
jornalistas portugueses em Washington."A
maneira como Trump trata os nossos amigos e os comentários que faz
mostram uma falta de respeito", acrescentou o político luso-americano
com raízes açorianas.Na segunda-feira, o
Presidente eleito dos Estados Unidos causou polémica ao admitir que não
excluía a possibilidade de recorrer à força militar ou à coerção
económica para assumir o controlo da Gronelândia, rica em minerais e
onde fica situada uma grande base militar norte-americana, sublinhando
que aquela região autónoma da Dinamarca é necessária “para a segurança
nacional” do seu país.Já em dezembro,
Trump tinha renovado os apelos que fizera durante o seu primeiro mandato
para comprar a Gronelândia à Dinamarca, cujo controlo descreveu como
“uma necessidade absoluta”.Além disso, nas
últimas semanas o republicano insistiu na sua intenção de retomar o
controlo do Canal do Panamá, mas também de anexar o Canadá ou mudar o
nome do Golfo do México para “Golfo da América”.Jim
Costa, eleito pela Califórnia, não se esquece do primeiro mandato de
Donald Trump e garante que "a natureza caótica" com que o magnata opera
"vai continuar"."É quem ele é. Tenho
preocupações muito significativas sobre a sua política interna e os
impactos na deportação em massa, nas tarifas e impactos económicos, e o
que eles podem trazer para nossos aliados ao redor do mundo,
nomeadamente na Europa e depois nas Américas, como Canadá e México",
indicou o congressista da Califórnia.Jim
Costa, juntamente com o congressista republicano David Valadao, também
luso-americano, almoçaram na quinta-feira em Washington com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que participou no funeral do
ex-líder norte-americano Jimmy Carter.David
Valadao, filho de imigrantes açorianos, saiu em defesa de
Trump, destacando o seu envolvimento com os congressistas e indicando
que a equipa do Presidente eleito já se encontra a trabalhar em assuntos
que dominaram a campanha eleitoral, como impostos, tarifas ou controlo
de fronteira com México e Canadá.Sobre a
promessa de Donald Trump de deportação em massa de imigrantes ilegais,
Valadao admitiu existir um problema de imigração, mas defendeu a
necessidade de diferenciar os imigrantes que contribuem para áreas
essenciais do país, como agricultura ou restauração."É
difícil [saber se uma deportação em massa irá acontecer], porque isso
custa dinheiro e dinheiro não é algo que temos aos montes para usar, mas
sabemos que, quando a fronteira estava aberta, muita gente perigosa
entrava no país, pessoas que não queremos aqui", disse o congressista
republicano."Mas temos também muita gente
que conhecemos, como portugueses, mexicanos e de outros países, que
estão aqui ilegalmente e que estão a trabalhar na agricultura, nos
restaurantes e em muitas outras áreas e que são importantes para nós.
Isso é algo que temos dito às pessoas que trabalham diretamente com o
Presidente [Trump] no Capitólio, para que eles entendam que existe uma
diferença. (...) Temos de ter um processo para ajudar os que estão aqui a
trabalhar e a ser uma parte da nossa nação", frisou.Sobre as aspirações expansionistas de Donald Trump, o congressista está reticente sobre a capacidade desses projetos avançarem."Sei
que a Gronelândia tem muito valor, mas não sei se isso avançará. Já
sabemos que o Trump é muito conhecido por falar", afirmou Valadao a
jornalistas portugueses.Jim Costa e David
Valadao lideram o Caucus Português no Congresso norte-americano, com o
objetivo de alavancar os interesses da comunidade portuguesa nos Estados
Unidos e “fortalecer os laços de longa data entre os Estados Unidos e
Portugal”.Jim Costa assegurou à Lusa
que continuará "a fazer tudo o que puder para construir e melhorar a
importante parceria e aliança" com Portugal, "um parceiro original da
NATO", defendendo que os dois países devem "trabalhar juntos no futuro
durante esses tempos difíceis".