Confrontos tribais no Sudão fazem 25 mortos e levantam receio de mais violência
10 de mai. de 2023, 18:20
— Lusa
A
violência tribal no sul eclodiu na segunda-feira entre as tribos Hausa e
Nuba na cidade de Kosti, capital da província do Nilo Branco, que faz
fronteira com o Sudão do Sul, segundo a imprensa local sudanesa.Ainda
não está claro se os confrontos tribais estão relacionados com os
combates que eclodiram em meados de abril na luta pelo poder entre o
chefe das Forças Armadas, o general Abdel Fattah al-Burhan, e o general
Mohamed Hamdan Dagalo, que comanda o grupo paramilitar Forças de Apoio
Rápido (RSF, na sigla em inglês).A
violência tribal, resultando em mortes, não é invulgar no sul e oeste do
Sudão, onde disputas que remontam à separação do país do Sudão do Sul
continuam sem solução.O conflito mais
grave entre as forças dos dois generais, que eclodiu em 15 de abril, já
causou a morte a mais de 600 pessoas, incluindo civis, e deslocou
centenas de milhares. A violência
estendeu-se entretanto a outras regiões, nomeadamente à província
rebelde do Darfur, onde combatentes armados, muitos com uniformes das
RSF, lançaram ataques na cidade de Genena, matando pelo menos 100
pessoas, de acordo com a organização Sindicato dos Médicos Sudaneses.A
agência de migração da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que a
violência já obrigou 700.000 pessoas a deslocarem-se internamente e para
fora do país, números atualizados na terça-feira que são mais do dobro
da contagem de uma semana antes. Uma série
de cessar-fogos não conseguiu parar os combates, e atualmente as partes
em conflito mantêm negociações na cidade costeira saudita de Jeddah,
mas fizeram poucos progressos em relação a uma trégua humanitária mais
sustentada, revelou uma fonte da ONU no Sudão à agência Associated
Press.Na terça-feira, a ONU anunciou que
seu chefe para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, propôs "uma
declaração de compromissos" aos representantes das forças rivais
sudanesas para garantir a passagem segura da ajuda humanitária.