Confinamento salvou vidas e evitou colapso dos cuidados intensivos
Covid-19
28 de mai. de 2020, 17:49
— Lusa/AO Online
"Hoje
foi conhecido um estudo que dá nota disso: o confinamento não só salvou
vidas como evitou o colapso das unidades de cuidados intensivos dos
hospitais", afirmou António Lacerda Sales, durante a conferência de
imprensa diária para atualização de informação sobre a pandemia em
Portugal. "No entanto, é preciso
continuar este trabalho de capacitação dos serviços para eventuais novas
fases da pandemia", acrescentou, referindo que "chegou esta semana mais
um avião com 60 ventiladores da China e estão já em Portugal cerca e
160 ventiladores da encomenda de 500 feita pela Administração Central do
Sistema de Saúde". Segundo o estudo da
Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), o número de doentes graves com
covid-19 internados nas unidades de cuidados intensivos do Serviço
Nacional de Saúde (SNS) seria o triplo na primeira quinzena de abril sem
o confinamento imposto pelo Governo em 19 de março."Sem
o 'lockdown' [confinamento] decretado pelo Governo em meados de março
de 2020, as unidades de cuidados intensivos dos hospitais do SNS teriam
tido que atender, entre 01 e 15 de abril, uma avalanche de 748 doentes
graves com covid-19, três vezes mais do que os 229 que precisaram desse
tipo de cuidados", lê-se na análise hoje divulgada pela ENSP da
Universidade Nova de Lisboa.Para os
investigadores da ENSP, "nesse cenário, as 528 camas de cuidados
intensivos de que o SNS dispunha na altura poderiam não ter sido
suficientes para atender a todas as necessidades, como aconteceu em
Itália e em Espanha".E realçam: "A ação
antecipada deu tempo para o SNS adquirir equipamentos de proteção,
aumentar a capacidade de testar e lidar com o aumento da procura
hospitalar e de cuidados intensivos causada pela pandemia".Os
especialistas referem que "Portugal atuou cedo ao decretar o 'lockdown'
quando ainda só tinha registado 62 casos e nenhum óbito", e que "os
portugueses aderiram de forma efetiva às medidas de confinamento
decretadas pelas autoridades, reduzindo a sua mobilidade em cerca de
80%".De acordo com o estudo, as medidas de
confinamento contribuíram para que, nos primeiros quinze dias de abril,
Portugal tivesse registado menos 5.568 casos (-25%) de covid-19, menos
146 mortes (-25%), e menos 519 (-69%) internamentos em unidades de
cuidados intensivos do que seria de esperar se não tivesse sido
decretado o confinamento.