Confinamento evitou 3,1 milhões de mortes em 11 países europeus
Covid-19
8 de jun. de 2020, 16:55
— Lusa/AO Online
Feito
pelo “Imperial College”, uma universidade britânica, cujos cientistas
aconselharam o Governo de Londres sobre a crise sanitária, o estudo
analisa as principais medidas tomadas em 11 países (Portugal não está
incluído), como a proibição de eventos públicos, restrições na
circulação e encerramento de escolas e do comércio.“É
importante medir a eficácia destas medidas, dado o seu impacto
económico e social”, sublinham os autores, numa altura em que a
amplitude dos efeitos colaterais do confinamento é criticada com
regularidade e quando muitas pessoas pedem o levantamento das
restrições.Os investigadores compararam o
número de mortes registadas na base de dados do Centro Europeu de
Prevenção e Controlo de Doenças com o número de mortes que teria
ocorrido na ausência de medidas de controlo, estimado através de modelos
matemáticos.Num artigo publicado na
revista científica Nature os responsáveis estimam também que as medidas
reduziram em 82% a taxa de reprodução do vírus (o número de novos casos
por cada pessoa infetada), permitindo que se mantivesse abaixo de um,
limiar abaixo do qual o número de casos diminui.Os
investigadores calculam também que em 04 de maio 12 a 15 milhões de
pessoas estavam infetadas pela covid-19, com grandes variações entre
países.A Bélgica teria a taxa de infeção
mais elevada, com 08% da população a contrair o coronavírus, seguida da
Espanha (5,5%), do Reino Unido (5,1%) e da Itália (4,6%). Em
contrapartida apenas 0,85% dos alemães (710.000) contraíram o vírus.Os
autores sublinham que as medidas foram tomadas em conjunto ou muito
perto no tempo pelo que é difícil avaliar o impacto de cada uma em
separado.Mas concluem que “o confinamento
teve um efeito substancial sobre o controlo da epidemia”. E acrescentam:
“Devem ser consideradas medidas contínuas para manter a transmissão do
SARS-CoV-2 sob controlo”.Os 11 países
estudados foram a Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha,
França, Itália, Noruega, Reino Unido, Suécia e Suíça.Outro
estudo, feito pela Universidade de Berkeley, Estados Unidos, e também
publicado hoje na Nature, estima que 530 milhões de infeções pelo novo
coronavírus foram evitadas em seis países (China, Coreia do Sul, EUA,
França, Irão e Itália) graças às medidas implementadas até 06 de abril.Os
autores comparam a taxa de crescimento diário do número de novos casos
antes e depois da implementação das medidas e concluem que estas
“abrandaram consideravelmente” a taxa de contaminação.