Conferência vai mostrar importância da proteção do Oceano
Oceanos
6 de jun. de 2025, 10:55
— Lusa/AO Online
Para
o presidente da Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável,
Francisco Ferreira, a terceira conferência das Nações Unidas sobre o
Oceano, que decorrerá em Nice (França), “é fundamental para dar
protagonismo ao Oceano, que ocupa 70% da superfície do planeta”.“Há
três grandes pontos que estão na génese e são o objetivo da
conferência: o oceano ser de todos, ser fundamental para o futuro da
humanidade e haver uma responsabilidade comum na sua proteção”,
enumerou. Francisco Ferreira também
destacou os compromissos que sairão da conferência: “mesmo que de forma
voluntária é crucial obter compromissos porque esses compromissos, mesmo
voluntários, não deixarão de ser monitorizados e não deixarão de ser
seguidos e depois podemos avaliar o desempenho dos vários países no que
respeita à proteção, à salvaguarda, à sobre-exploração e à destruição
dos oceanos”. Por outro lado, e tendo por
base o tema geral da conferência - “acelerar a ação e mobilizar todos os
intervenientes para conservar e utilizar de forma sustentável o oceano”
- o ambientalista disse que “é preciso agora resolver esta transição do
papel para a prática, estas conferências são sempre uma esperança, mas
uma esperança limitada porque muito do que se diz não se faz”.“Há
aqui um aspeto absolutamente crucial que é olhar para trás e ver o que
não se está a fazer e que é realmente preciso passar à ação, vamos na
terceira conferência e as mudanças têm sido demasiado lentas para aquilo
que é efetivamente necessário”, considerou.É
o caso de Portugal, país costeiro, que apesar de “não ter estado mal”
no que diz respeito à aprovação de legislação, no caso da classificação
de áreas protegidas “continua atrasado”.“No
caso dos Açores podemos voltar atrás”, alertou Francisco Ferreira,
referindo-se a uma proposta do PS/Açores sobre a Rede de Áreas Marinhas
Protegidas que visa permitir pesca de atum de salto e vara em áreas de
proteção total. Na classificação de áreas
costeiras de elevada proteção “continuamos muito atrasados e não se
percebe porque há varias áreas marinhas que já deviam ter sido
classificadas, como por exemplo a foz do Sado” e ainda não foram. Como
positivo, o ambientalista destacou a ratificação do Tratado do Alto Mar
– que pretende preservar a biodiversidade dos oceanos que não estão sob
jurisdições nacionais e declarar área protegida 30% dos oceanos até
2030 - e a aprovação de uma moratória sobre a mineração em mar profundo,
em águas portuguesas, até 2050.A
conferência é coorganizada por França e Costa Rica e segue-se à
realizada em Lisboa, em 2022, e adotará uma declaração “orientada para a
ação e acordada a nível intergovernamental, que, juntamente com uma
lista de compromissos voluntários, será designada por “Plano de Ação
para os Oceanos de Nice”.Estarão presentes
pelo menos 50 chefes de Estado e de Governo, centenas de delegações
governamentais, cientistas, representantes da indústria, de povos
indígenas, de instituições financeiras internacionais, organizações
não-governamentais, organizações da sociedade civil com o objetivo de
apoiar “novas e urgentes ações para conservar e utilizar de forma
sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos”.