Conferência Episcopal admite estender prazo para compensações financeiras por abusos sexuais
10 de nov. de 2025, 17:38
— AO Online/Lusa
“Gostaríamos que ficasse concluído até ao
final deste ano e continuamos a fazer todos os esforços nesse sentido.
No entanto, é possível que o prazo se estenda para além do previsto”,
afirmou o presidente da CEP, José Ornelas, na abertura da 212.ª
Assembleia Plenária da instituição, que hoje começou em Fátima.Segundo
José Ornelas, também bispo da Diocese de Leiria-Fátima, tal situação
deve-se a “fatores como o alargamento dos prazos para acolher mais
alguns pedidos, a remarcação de entrevistas das comissões de instrução
devido às dificuldades de deslocação de alguns interessados e o volume
de pedidos a ser analisados pela comissão de fixação de compensações”.A
CEP anunciou no final de setembro ter validado 77 dos 84 pedidos de
compensação financeira por abuso sexual na Igreja Católica. Para
cada um dos 77 pedidos validados foram criadas comissões de instrução -
constituídas por duas pessoas das áreas do direito, psicologia e
psiquiatria - e, até então, tinham sido feitas 70 entrevistas. Concluída
a maior parte dos pareceres, entra em funcionamento a comissão de
fixação de compensação, que “irá determinar livremente o valor da
compensação financeira a atribuir”. Entre
os sete juristas que compõem a comissão, dois são indicados pela CEP,
dois pela Equipa de Coordenação Nacional das Comissões Diocesanas de
Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, dois pelo Grupo VITA e um
pela Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal. O objetivo era, sublinhou em setembro a CEP, concluir os processos de atribuição financeira até ao final do ano.O
Grupo VITA, criado pela CEP para acompanhar as situações de abuso
sexual na Igreja Católica, apresenta-se como uma estrutura autónoma e
independente, que visa acolher, escutar, acompanhar e prevenir as
situações de violência sexual de crianças e adultos vulneráveis no
contexto da Igreja Católica.No discurso de
abertura da reunião magna dos bispos católicos portugueses, José
Ornelas salientou que, com o processo de compensações financeiras que
está em curso, se procura “garantir às vítimas uma reparação
extrajudicial que seja equitativa”.Reconhecendo
que “a proteção de menores e adultos vulneráveis é um caminho de
conversão exigente e necessário” que a Igreja em Portugal tem vindo a
percorrer em “comunhão com as orientações dos últimos papas e
reafirmadas pelo Papa Leão XIV”, o prelado frisou ser claro para todos
que se está “num caminho que não voltará atrás”.“Apesar
do muito trabalho ainda a fazer para garantir uma Igreja cada vez mais
segura, a transparência, proteção e cuidado dos mais frágeis estão a
tornar-se numa cultura permanente”, assegurou José Ornelas, garantindo
que se continua “a trabalhar no acolhimento às vítimas, no
encaminhamento adequado das denúncias, na reparação possível das feridas
infligidas e na formação para a prevenção nos diferentes contextos do
tecido eclesial”.O bispo adiantou que,
nesta Assembleia Plenária da CEP, que termina na quinta-feira, este
tema, “uma vez mais”, vai estar “bem presente”, e serão estudados “os
relatórios dos trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos e a
constituição do fundo da CEP, para pagamento das compensações”.Este fundo “vai ter o contributo solidário das dioceses e dos institutos de vida consagrada”, acrescentou José Ornelas.