Conferência de líderes reúne-se terça-feira sobre moção de censura e debates de urgência
Governo
30 de dez. de 2022, 12:24
— Lusa/AO Online
De
acordo com informação divulgada pelo gabinete do presidente da
Assembleia da República, Augusto Santos Silva “convocou uma reunião
extraordinária para o próximo dia 03 de janeiro, pelas 11h30”. A
ordem de trabalhos inclui a “apreciação dos requerimentos para a
realização de debate de urgência, apresentados pelos Grupos
Parlamentares do PSD e do Chega” e o “agendamento e organização da moção
de censura proposta pelo Grupo Parlamentar da Iniciativa Liberal”.
Antes desta alteração de agenda, a Conferência de Líderes estava
agendada para a próxima quarta-feira, dia 04 de janeiro, reunião que se
mantém e que será dedicada a agendamentos.
A Iniciativa Liberal (IL)
considera que o executivo socialista é irreformável, "por convicções
erradas, incapacidades políticas ou desgastes pessoais", segundo o texto
da moção de censura entregue no parlamento e que deverá ser debatido na
quarta-feira (04)."Seja por convicções
erradas, por incapacidade política ou desgastes pessoais, estamos diante
de um executivo irreformável que projeta a sua inércia e resignação
sobre o país que lhe confiou o mandato", lê-se no documento, de oito
páginas, que deu entrada na quinta-feira à noite, segundo o partido.O
Regimento da Assembleia da República estipula que o debate da moção
“inicia-se no terceiro dia parlamentar subsequente à apresentação da
moção de censura, não pode exceder três dias e a ordem do dia tem como
ponto único o debate da moção de censura”.Tendo
a IL formalizado a entrega desta iniciativa ainda na quinta-feira, e
sendo que na segunda-feira (02) os funcionários do parlamento têm
tolerância de ponto e a Assembleia da República estará fechada, o debate
terá de ocorrer na quarta-feira, dia 04.O PSD tinha requerido um debate de urgência com o
primeiro-ministro para a próxima quarta-feira, na sequência da demissão
do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.Também
André Ventura indicou que o Chega iria pedir “na próxima semana um
debate de urgência no parlamento com a presença do primeiro-ministro”.O
Presidente da República excluiu hoje o cenário de eleições antecipadas,
na sequência da crise política causada pelas demissões no executivo, e
pediu que o Governo do PS “governe e governe cada vez melhor”.O
Regimento da Assembleia da República prevê que “podem apresentar moções
de censura ao Governo, sobre a execução do seu programa ou assunto
relevante de interesse nacional nos termos do artigo 194.º da
Constituição, um quarto dos deputados em efetividade de funções ou
qualquer grupo parlamentar”.O debate é
aberto e encerrado pelo primeiro dos signatários da moção e o
primeiro-ministro tem o direito de intervir imediatamente após e antes
destas intervenções dos proponentes.“A
moção de censura só se considera aprovada quando tiver obtido os votos
da maioria absoluta dos deputados em efetividade de funções. Se a moção
de censura não for aprovada, os seus signatários não poderão apresentar
outra durante a mesma sessão legislativa”, lê-se no Regimento.A
moção de censura da IL vai ser a segunda que o Governo enfrenta desde
que iniciou funções, em 30 de março de 2022, depois de ter vencido as
eleições legislativas com maioria absoluta.Tal
como na primeira moção de censura, apresentada pelo Chega, o Governo
conta com uma maioria absoluta de deputados do PS para o apoiar, votando
a nova iniciativa à partida igualmente ao ‘chumbo’.