Confederações empresariais disponíveis para negociar lei laboral a partir da próxima semana
Hoje 16:15
— Lusa/AO Online
"Na
prática, não houve reunião", disse o presidente da Confederação do
Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, à saída da reunião de no Ministério do Trabalho, falando em representação das restantes
três confederações empresariais. Francisco
Calheiros referiu que o encontro de hoje seria para fazer uma
"avaliação" das reuniões técnicas que têm existido entre Governo,
confederações empresariais e UGT e que dado que a central sindical
liderada por Mário Mourão "manifestou indisponibilidade para estar nesta
reunião", as confederações "transmitiram a sua disponibilidade" para
voltar a negociar a partir da próxima segunda-feira. A
ministra do Trabalho reuniu-se esta tarde com as confederações
patronais para discutir as alterações à legislação laboral, mas sem a
presença da CGTP, que não foi convocada pelo Governo, nem da UGT, que
anunciou que não iria participar na reunião, considerando-a
“extemporânea” e lamentando a sua divulgação quando informou
atempadamente o Governo da sua indisponibilidade nesta data. Fonte
oficial do ministério tinha indicado à Lusa que "a UGT foi convidada e
não mostrou disponibilidade em nenhum momento esta semana”, mas que “o
Governo mantém toda a disponibilidade para conversar” com a central
sindical."A semana começa na
segunda-feira. A partir das nove da manhã estamos disponíveis para estar
cá", reiterou o presidente da CTP, em representação também da CIP, CAP e
CCP, acrescentado que ficaram "à espera que a senhora Ministra
confirmasse se, de facto, na segunda-feira, às nove da manhã, a UGT pode
ou não estar [presente] para fazermos a reunião". Para
as confederações empresariais, “não fazia sentido” fazer esta reunião
sem a presença da UGT, dado que era uma reunião tripartida. Segundo Francisco Calheiros, a reunião de hoje estava “marcada no calendário já há bastante tempo”. Questionado
sobre o facto de a CGTP, que além das confederações empresariais e da
UGT também tem assento na Comissão Permanente de Concertação Social
(CPCS), não ter sido convidada para estar presente na reunião de hoje,
Francisco Calheiros escusou-se a comentar. Em
declarações à Lusa, o secretário-geral da CGTP tinha acusado hoje o
Governo de tentar afastar a intersindical da discussão das alterações à
lei laboral e de utilizar formas de discussão "completamente à margem"
do que tem sido a condução de processos negociais.O
anteprojeto de reforma, chamado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo
Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em julho de 2025 e continua em
discussão na Concertação Social, antes de o executivo submeter uma
proposta de lei no parlamento.As
alterações propostas pelo Governo em julho mereceram um ‘não’ das
centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos
dos trabalhadores. A oposição levou a CGTP e a UGT a avançarem, em
conjunto, para uma greve geral, realizada em 11 de dezembro de 2025.As confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.Perante
as críticas da CGTP e da UGT, o executivo entregou à UGT uma nova
proposta com algumas cedências, mas reiterou que não está disponível
para retirar toda a iniciativa, nem para deixar cair as traves mestras
das alterações anunciadas.A UGT fez chegar uma contraproposta ao Governo a 04 de fevereiro.