Concurso para navio de mercadorias no Corvo contestado por mais um concorrente
16 de mar. de 2021, 17:39
— Lusa/AO Online
Em
causa está o concurso público internacional para a prestação de serviço
de transporte marítimo regular de mercadorias entre as ilhas
do Faial e do Corvo, que foi ganho pela empresa Mutualista Açoreana (do
grupo Bensaúde).“A confirmar-se a
adjudicação à Mutalista Açoreana de Transportes Marítimos SA tal ato
padecerá de vício de violação de lei, por contrário ao disposto no
artigo 70.º e n.º 1 do artigo 75.º do CCP [código dos Contratos
Públicos], vícios que se invoca para todos os devidos e legais efeitos”,
lê-se na reclamação, a que a agência Lusa teve acesso.A
empresa afirma que a proposta da Mutualista Açoreana, que foi a única
concorrente admitida, não deveria ter sido aceite “sem que tal constitua
um desvirtuamento das regras do concurso”.Entre
as justificações, a empresa Energia Eficiente destaca que o “navio
proposto não é um cargo” (navio de transporte de carga), sendo antes uma
embarcação de “transporte de diversos, sobretudo, líquidos”.A
Energia Eficiente realça que uma das propostas (a da empresa Seamaster)
foi excluída por apresentar um preço inferior ao exigido pelo caderno
de encargos, sendo que a empresa vencedora também apresentou um preço
inferior ao exigido de 2,665 milhões.“A
proposta do concorrente dois, Mutualista Açoreana de Transportes
Marítimos SA, apresentou um preço contratual de 2,664 milhões, o qual,
também é inferior aos de 2,665 milhões, mas não constitui, quanto a
esta, fundamento de exclusão, sendo, aliás, a única proposta admitida!”,
lê-se no documento.A empresa reclamante
defende que a proposta da Mutalista Açoreana “não dá cumprimento às
várias disposições vinculativas do procedimento do concurso”.A
Energia Eficiente assinala ainda que o navio vencedor tem um “consumo
excessivamente desproporcionado” de combustível que colocará em causa a
“viabilidade financeira” do processo.A
empresa refere igualmente que o navio em causa possui um espaço aberto
“o que significa que não pode assegurar a adequada proteção dos
contentores/paletes quando carregadas com bens”.Por
último, a Energia Eficiente afirma existir um “acréscimo de risco na
utilização” da embarcação da Mutualista Açoreana, uma vez que as más
condições atmosféricas podem impedir as deslocações do navio.A de 13 março, a agência Lusa noticiou que a empresa Seamaster, uma das três
concorrentes ao concurso público de transporte de mercadorias para a
ilha do Corvo, considerou o processo um “ato viciado”, admitindo
recorrer à justiça para “acabar com os monopólios”.A
decisão de contratar uma prestação de serviços para o transporte
marítimo regular de mercadorias foi tomada pelo Conselho do Governo
Regional a 29 de janeiro de 2021, sendo a entidade adjudicante o Fundo
Regional de Apoio à Coesão e ao Desenvolvimento Económico.