Concurso para a venda da Azores Airlines deverá ser lançado ainda em maio
Hoje 09:04
— Ana Carvalho Melo
O presidente do conselho de administração do grupo SATA, Tiago Santos,
revelou ontem que o concurso para a venda da Azores Airlines deverá ser
lançado ainda durante o mês de maio.“Neste momento, a visão é que o
concurso seja lançado ainda em maio. Ambicionamos que no final do ano
tenhamos um escolhido para o processo de privatização, portanto o
potencial acionista futuro da Azores Airlines”, revelou Tiago Santos
durante a audição na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos
Açores, onde abordou o processo de privatização da Azores Airlines.De
acordo com o responsável, a meta é ter o processo de escolha do novo
acionista concluído até dezembro, no entanto, ressalva que o cumprimento
rigoroso deste prazo depende um da eventual necessidade de uma terceira
fase de negociação para otimizar propostas e da gestão dos prazos de
entrega durante o período de férias de verão, para não desincentivar
investidores internacionais.Acrescentou ainda que o novo caderno de
encargos manterá obrigações mínimas, mas de forma mais pragmática, para
não inviabilizar o sucesso da operação.“Paralelamente, mantêm-se
obrigações estruturantes de proteção do interesse regional, nomeadamente
ao nível da sede e da direção efetiva, dos direitos dos trabalhadores,
da manutenção de rotas estratégicas e da preservação do certificado de
operador aéreo”, explicou, realçando que na definição destas condições,
“quanto mais nos aproximamos do mínimo legal, mais aumentamos a
probabilidade de sucesso do processo”, enquanto exigências que se
afastem excessivamente desse patamar reduzem as hipóteses de atrair
investidores.Neste sentido, o gestor revelou que está a ser feito um
levantamento para separar os trabalhadores que prestam serviço efetivo à
Azores Airlines dos que trabalham para a SATA Air Açores, com o
objetivo de evitar transferir para o privado funcionários que não são o
núcleo da operação da Azores Airlines, o que seria um fardo financeiro e
um risco para a sua manutenção.Revelou ainda que a administração
procura alcançar acordos com os sindicatos, como o SPAC e o SNPVAC, para
aproximar as condições de trabalho aos padrões de mercado, aumentando a
produtividade e a atratividade do ativo.“Ambicionamos chegar a
acordo com o SPAC e com o SNPVAC em termos equivalentes àquilo que eles
chegaram com o consórcio, para proteção dos trabalhadores e para
maximizar a probabilidade de sucesso deste processo. É um serviço que
prestamos à Azores Airlines que consigamos fechar um acordo para
garantir que entregamos ao futuro investidor um acordo de empresa o mais
próximo possível daquilo que é o mercado, permitindo aí sim que haja
uma otimização plena dos trabalhadores”, explicou.Tiago Santos
explicou que esta aproximação aos padrões de mercado é fundamental
porque qualquer discrepância significativa em relação ao “standard de
mercado” seria vista por um potencial investidor como um “problema a
resolver”, o que diminuiria a atratividade do ativo. O objetivo destes
novos acordos não é a redução de pessoal, mas sim a otimização das
escalas e a redução de custos com horas extras e “voos a convite”,
alinhando os interesses da empresa com os dos pilotos, que manifestaram
vontade de “voar mais”.Por outro lado, Tiago Santos recomenda que a
venda seja superior a 75%, explicando que isto garante ao investidor uma
maioria qualificada para decisões estratégicas, reduzindo a incerteza
que o limite de 51% causava nos grandes investidores internacionais.SATA prevê melhoria do EBITDAO
presidente do conselho de administração do grupo SATA, Tiago Santos,
confirmou ontem que a empresa antecipa uma melhoria do EBITDA entre 15 a
20 milhões de euros em 2025 em comparação com 2024, aproximando os
resultados dos valores registados em 2023.“O nosso foco é o EBITDA,
aquilo que conseguimos controlar. O ano de 2024 foi um ano perdido nesta
rota da sua sustentabilidade e em 2025 estamos em linha com o ano de
2023. Conseguimos rapidamente inverter a inclinação e iremos passar de
um EBITDA de -700.000 € em dezembro de 2024 para um EBITDA que estará
muito próximo dos 20 milhões em dezembro de 2025” afirmou, em
declarações na Comissão de Economia.