Concorrência quer fim da fidelização nas telecomunicações para promover leilão 5G
14 de jul. de 2020, 12:10
— LUSA/AO online
Havendo uma política de fidelização como a
atual, não haverá interesse de novos concorrentes no leilão 5G", que
está marcado para outubro e dezembro, afirmou Margarida Matos Rosa, numa
audição na comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, a
pedido do BE.A presidente da Autoridade
da Concorrência (AdC), citando dados oficiais, lembrou aos deputados que
os gastos médios com telecomunicações são de 700 euros por ano por
família, um valor que considerou "muito" elevado e que leva a uma
necessidade de se promover uma "pressão" sobre os custos e a qualidade
do serviço."É essencial aproveitar" o
atual momento, disse, depois de lembrar que o setor das telecomunicações
é um dos que tem "mais importância" para a economia e famílias, e que o
processo de digitalização se tornou essencial com a pandemia, o
teletrabalho, o comercio online e o ensino à distância.Mas
o custo destes serviços é elevado, quando comparado com o resto da
União Europeia, o que é "uma preocupação" para a AdC, mesmo antes do
leilão 5G 8quinta geração móvel), que esteve parado por causa da
pandemia e foi recentemente relançado para o final do ano.A
AdC lembrou aos deputados as recomendações, enviadas em finais do ano
passado ao Governo, quanto a regras no 5G que permitam a entrada de
novos operadores, a fidelização que cria barreiras à mobilidade dos
consumidores e impede a concorrência efetiva, defendendo uma reserva de
espetro nas faixas do 5G "mais interessantes e se possível com desconto"
final. "Se não houver um leilão que
permita a entrada de novos operadores isto vai manter-se assim e temos
de fazer alguma coisa”, disse aos deputados, defendendo a criação das
condições legislativas que permitam a entrada de novos operadores e,
ainda, que nas faixas relevantes para o 5G, deve seja reservado espetro
para novos operadores.“Os clientes vão
querer internet mais rápida, querem o 5G”, disse, explicando assim a
necessidade dessa reserva para novos operadores e defendendo também a
"importância" de dar acesso aos operadores que não comprem, eles
próprios, espetro, mas que paguem pela utilização do espetro de outros.A
presidente da AdC defendeu ainda, quando ao 5G, que deve haver
'roaming' nacional, mas ressalvou que há riscos de partilha de rede, que
levam a que "durante demasiados anos haja condições, entre quem
partilha rede, demasiado semelhantes sem investimento adicional".Há
cerca de um mês, também na comissão parlamentar de Economia, Inovação,
Obras Públicas e Habitação, acerca da concorrência no setor das
telecomunicações e consequências na implementação do 5G, a requerimento
do Bloco de Esquerda (BE), o presidente da Autoridade Nacional de
Comunicações (Anacom), João Cadete de Matos, disse que Portugal compara
mal com outros países não só "quanto aos preços" como também "quanto ao
número de operadores".João Cadete de
Matos defendeu também perante os deputados que o leilão para a
atribuição das licenças de 5G é uma "oportunidade para quebrar barreiras
que existem" no setor, nomeadamente à entrada de novos operadores."Em
Portugal, temos vindo a dar passos para criar condições para que o
leilão das frequências que vai acontecer seja uma oportunidade para
quebrar algumas barreiras que existem", como "à entrada de novos
operadores", afirmou.