Concorrência emite recomendações a comerciantes de bens alimentares
Crise/Inflação
6 de abr. de 2023, 07:24
— Lusa/AO Online
As
recomendações aos operadores da cadeia de valor dos bens de consumo, em
especial de bens alimentares, hoje divulgadas em comunicado do
regulador da concorrência, e disponíveis na sua página eletrónica,
pretendem sensibilizar as empresas para a importância de adotarem
estratégias de mercado alinhadas com as melhores práticas de
concorrência. "Tal é crucial para
assegurar o eficaz funcionamento dos mercados, contribuindo para que os
preços pagos pelas famílias sejam justos e competitivos, nas atuais
circunstâncias económicas", lê-se no documento.O
regulador recomenda aos operadores que revejam periodicamente a atuação
comercial de forma a prevenir comportamentos de risco, tendo em
consideração, nomeadamente, que é ilegal a imposição de preços de
revenda e a troca, direta ou indireta, de informação estratégica e
comercialmente sensível, mesmo em contextos promocionais.Lembra
ainda que as margens ao longo da cadeia de valor não devem ser
garantidas à custa de uma concertação de preços entre empresas e que "as
ferramentas de monitorização de preços de venda ao público (PVP) não
devem ser utilizadas como instrumento de coordenação e fixação de
preços"."Deve observar-se que as
perturbações temporárias de cadeias de abastecimento ou qualquer forma
de anúncio público de preços não devem ser utilizadas para ocultar ou
camuflar práticas restritivas da concorrência", destaca ainda.Numa
perspetiva preventiva, e com base na experiência adquirida, a AdC
identifica potenciais comportamentos de risco para a concorrência, a
evitar pelos agentes económicos, e esclarece quais são proibidos pela
Lei da Concorrência, incluindo os suscetíveis de surgir no âmbito das
relações entre fornecedores e distribuidores, recorrendo a exemplos.O
comunicado aborda ainda os limites da legalidade na atuação das
empresas quanto à gestão da comunicação entre fornecedores e
retalhistas, focando-se na fixação vertical dos preços de revenda e no
alinhamento horizontal de (PVP) alcançado por retalhistas através da
intervenção (e dos preços) dos fornecedores.Numa
audição na terça-feira na Comissão de Agricultura e Pescas a AdC
garantiu aos deputados a intenção de exercer as suas competências no
âmbito do pacto do IVA zero no cabaz de alimentos essenciais, que entra
em vigor a 18 de abril.“Esta autoridade
vai exercer as suas competências para que isto não possa ser usado para
distorcer a concorrência”, afirmou o vogal do Conselho de Administração
da AdC, Miguel Moura e Silva.Para conter o
impacto da inflação, o Governo lançou um conjunto de medidas, como a
aplicação de IVA de 0%, que vão custar cerca de 600 milhões de euros.