Comunidade portuguesa de Nova Iorque foi afetada por receio diário
11 de Setembro
10 de set. de 2021, 19:00
— Elena Lentza, da agência Lusa
Emigrado
nos EUA há mais de 50 anos e presidente da Associação Cívica Portuguesa
do Estado de Nova Iorque PCANYS na altura do 11 de setembro de 2001,
Tony Castro considerou que a preocupação e receio tomaram lugares
dianteiros na mente dos portugueses e da população de Nova Iorque,
“símbolo da América, o centro cultural e económico dos Estados Unidos”. “Que
melhor objetivo para um terrorista do que Nova Iorque, para atacar e
tentar destruir a cidade?”, foram as palavras do advogado e procurador
de justiça, ex-presidente da única associação que abrangia os centros
comunitários portugueses, no Estado de Nova Iorque, 11 no total, e que
teve um papel central na localização de vítimas portuguesas.Com
uma declaração de “grande respeito” pelas autoridades de segurança e de
‘law enforcement’ (execução da lei e manutenção da ordem pública), Tony
Castro não tem dúvidas de que Nova Iorque, depois do 11 de setembro,
foi “objetivo número um” para outros ataques terroristas que nunca
chegaram à superfície e de que o público não tem conhecimento.Tudo
prevenido graças ao “trabalho estupendo e extraordinário” da polícia de
Nova Iorque, agências de proteção “e serviços de segurança da cidade,
do Estado e da nação”, declarou.Depois
da tragédia que matou, só em Nova Iorque, 2.753 pessoas, continuaram a
realizar-se os eventos que reuniam milhares de espetadores, como o
‘Halloween’, o Dia de Ação de Graças ou o festival de St. Patrick, mas
“havia sempre aquele receio (…) porque nunca se sabia onde seria o
próximo ataque”, descreveu Tony Castro, acrescentando que quando se via
um ataque “daquela maneira”, era “natural antecipar outro”.Em
relação às comunidades portuguesas expatriadas, o 11 de setembro foi
uma clara “prova” da “necessidade de uma associação ‘umbrella’” que
integra e junta centros comunitários, clubes e diversas outras entidades
ligadas à promoção da cultura e tradições.Depois
do 11 de setembro, a antiga associação estadual de portugueses PCANYS
foi a ponte entre o consulado português em Nova Iorque e os emigrantes
ou luso-americanos, tendo feito, segundo o antigo presidente, um
“serviço extremamente útil para o Governo” português.Tudo
partiu de uma reunião convocada pelo Consulado português de Nova Iorque
à associação PCANYS, com a presença de vários líderes comunitários e
representantes de clubes portugueses, com o propósito de se “averiguar” e
“reportar” quantas pessoas de origem ou família portuguesa foram
afetadas, perdidas ou mortas na tragédia, tarefa que demorou várias
semanas a completar.“Se
não existisse a associação cívica, de vários centros comunitários, a
quem é que o Governo português se iria dirigir para conseguir a
informação? Era um projeto extremamente difícil”, considerou Tony
Castro. “Nessa
altura, viu-se o verdadeiro valor da associação cívica, que foi tentar
reunir a comunidade para conseguir informação, para passar ao governo
português”, disse o agora presidente emérito da organização Conferência
de Liderança Luso-Americana de Nova Iorque (NYPALC), que a PCANYS
integrou em 2017.Tony
Castro e o antigo vice-presidente da PCANYS Fernando Santos dizem
lembrar-se de terem sido encontradas “sete vítimas mortais portuguesas”
das comunidades de Nova Iorque e vários sobreviventes, embora na altura
dos atentados se tenha falado em cinco portugueses mortos.A
associação, com iniciativa de Fernando Santos, procedeu à venda de
rifas, com o prémio de uma motorizada, para angariar fundos de cerca de
dez mil dólares (8,4 mil euros) para as famílias afetadas e reuniu
donativos de vários estabelecimentos comerciais e culturais portugueses
nos EUA. Entre 15 mil e 20 mil dólares (entre 12,7 e 16,9 mil euros)
foram entregues pela PCANYS a várias famílias portuguesas que se
encontravam em mais necessidade depois dos atentados.A
festa e piquenique pelo Dia de Portugal no condado de Westchester era o
ponto alto da organização criada em 1972 e legalizada oficialmente em
1976 e uma das únicas oportunidades de reunir toda a comunidade
portuguesa espalhada pelo Estado de Nova Iorque.Tony
Castro relatou um dever muito exigente e difícil de dar apoio em 2001:
porque a principal atividade da associação eram os festejos e a promoção
da cultura portuguesa, preparados com meses de antecedência, mas o
atentado criou um estado de emergência, dando uma função de quase
diferença entre a vida e a morte para a PCANYS.Quatro
aviões comerciais, com centenas de passageiros a bordo, foram
sequestrados por um grupo de 19 terroristas no dia 11 de setembro de
2001 e foram direcionados para Nova Iorque e Washington.Dois
aviões, separados por 18 minutos, colidiram com as duas Torres Gémeas
em Nova Iorque, provocando uma explosão de grandes dimensões e matando
2.753 pessoas.A
sede do Departamento de Defesa dos EUA, conhecida como Pentágono, em
Washington também foi alvo de ataque com um avião, num acidente em que
morreram, segundo o Museu 9/11, 184 pessoas.Outras 40 pessoas morreram no acidente do quarto avião, que caiu em Shanksville, no Estado da Pensilvânia.Em conjunto com os 19 terroristas responsáveis pelo atentado, o total de pessoas mortas naquele dia foi de 2.996.