Comunidade portuguesa com esperança de encontrar sobreviventes
Venezuela/Sismo
Hoje 11:27
— Lusa/AO Online
“Estamos
muitos consternados, com o que aconteceu na Venezuela, no estado La
Guaira, que foi o mais afetado. Por isso, no Centro Português criámos um
centro de recolha de ajudas que serão entregues à Caritas Venezuela e
ao Dividendo Voluntário para a Comunidade, para ser distribuídas pelos
necessitados”, disse o presidente do Centro Português de Caracas (CPC) à
agência Lusa.Martin de Abreu explicou que
“das comunidades [estrangeiras] na Venezuela, a mais afetada, em La
Guaira é a comunidade portuguesa”, sublinhando que “tristemente é
assim”.“Conhecemos muitas pessoas, amigas,
associadas, afetadas, outras desaparecidas, e algumas já dadas como
mortas (…) viver isto é muito difícil, mas continuaremos em frente”,
frisou.O presidente do CPC explicou ainda
que a recolha de ajudas tem tido muita recetividade e que a comunidade
tem contribuído com medicamentos, alimentos, água e roupa.“Quando
aconteceram os sismos o clube estava aberto, mas com pouca gente porque
tínhamos festejado a noite de São João. O clube esteve dois dias
encerrado e reabriu para avançar com a recolha”, disse.Lamentou
que persistam dificuldades nas telecomunicações em La Guaira e que as
pessoas ficam a saber umas das outras através de alguém.“Estamos
orando pela Venezuela, pelos cidadãos portugueses, porque sabemos que
há muita gente que tem família lá [em La Guaira]”, disse.Por
outro lado, a diretora de Cultura do CPC, Alba Maria Ferreira, explicou
à Lusa que os sismos começaram por ser um susto, mas que a dimensão da
catástrofe começa a ser conhecida.“Não
acreditámos no que tínhamos vivido, mas à medida que o tempo passa vamos
tomando consciência do que aconteceu, de que há muita gente a pedir
ajuda para encontrar familiares”, disse.Alba
Maria Ferreira notou que há membros da comunidade que sabem que
familiares morreram e querem resgatar os corpos. “E, nós não sabemos
como responder. Então sentimo-nos de mãos amarradas, porque não temos
como ajudar e vamos sabendo histórias muito tristes da destruição que
houve (…) de que isto realmente foi uma coisa muito grande, horrível”,
disse.“Também temos tido outras histórias,
de pessoas que os familiares estão à procura e de repente aparecem em
bom estado”, sublinhou.Como exemplo
referiu que a comunidade esteve angustiada porque estava desaparecida a
diretora de um grupo folclórico em La Guaira e que quando apareceu foi
uma sensação incrível.“Assim como há
notícias tristes, também há outras que nos dão conforto. Ainda há
esperanças de encontrar pessoas que estão desaparecidas. Isso aconteceu
com o meu irmão: estivemos sem saber dele até o dia de ontem [sábado], e
ele está bem, graças a Deus”, disse.Explicou
ainda que conhece pessoas que sobreviveram as enxurradas de 1999 em La
Guaira (antigo estado de Vargas) e que sobreviveram agora aos sismos,
lamentando que ficassem de novo sem nada.“Precisamos
de todo tipo de ajuda, de comidas e muita medicação, equipamentos
médicos. Também de autorização para o transporte de maquinaria. Conheço
portugueses, construtores, que têm maquinaria disponível para prestar
ajuda, mas são impedidos de passar até La Guaira”, disse.Sobre
a recolha de ajuda, Gabriela Alves da Silva, do Comité de Damas do CPC,
explicou à Lusa que estão a pedir às pessoas que apoiem com
medicamentos, produtos para bebés, como leite, fraldas e biberões.“Os
afetados estão a precisar de roupa e colchões, e dos hospitais estão a
pedir medicamentos, luvas, algodão, álcool. Estamos também a receber
comida, alimentos que não se estragam, água e bebidas energéticas”,
disse.A responsável frisou ainda que têm recebido muitas doações e que a resposta está a ser muito positiva.