Comunicação foi fundamental para sucesso da vacinação
28 de out. de 2021, 19:08
— Lusa/AO online
Orador
no almoço/debate "O processo de vacinação contra o Covid-19 em
Portugal", organizado pelo International Club of Portugal, o militar,
adjunto para o Planeamento e Coordenação do Estado-Maior General das
Forças Armadas, explicou, com detalhe, as operações da equipa
responsável pela vacinação contra a covid-19 que liderou entre 03 de
fevereiro e 28 de setembro.“A
comunicação foi a parte mais importante”, realçou, perante uma centena
de pessoas, recordando os reparos acerca de aparecer vestido de
camuflado. “Queriam que aparecesse de lacinho cor-de-rosa ou com uma
gravatinha? Eu sou militar”, ironizou, assumindo “a retórica de guerra”.Liderança
consentida e organização – acrescentou – são os outros dois elementos
que compõem o trio de “sucesso” do processo de vacinação em Portugal.A
primeira – explanou – foi a que permitiu que instituições como a saúde e
o poder local, com “valores e hábitos”, tenham consentido a liderança
aos militares, percebendo a sua utilidade.“Planos simples para execução rápida” é o que os militares “sabem fazer bem”, assinala.Gouveia e Melo recordou que encontrou um Serviço Nacional de Saúde (SNS) com “muitas fragilidades”.O
SNS “é muito partido e desestruturado”, bem como “regionalizado”, o que
obrigou a criar “um sistema nervoso central”, explicou, acreditando que
o sistema aprendeu com a experiência.Havia
que definir objetivos: “Defender as pessoas, que estavam em risco de
vida” e dar resiliência ao Estado, nomeadamente ao SNS. “Estávamos
a vacinar em ‘slow motion’ [câmara lenta] e passámos a ‘fast forward’
[avanço rápido]”, descreveu, pedindo desculpas pelos anglicismos.“Conseguimos fazer uma coisa bastante bem feita”, regozijou-se, rejeitando a perfeição, porque essa “só deus”.Contando
que “a imprensa estrangeira” tem andado a perguntar-lhe sobre “o
truque” português, o vice-almirante respondeu: “Nunca gostei, enquanto
português, que nos ajoelhássemos perante os outros povos. (…) Não temos
de ter vergonha, nem orgulho excessivo.”Portugal tem capacidades e “um dos truques foi a população portuguesa” e a “cultura pró-vacinas”, realça.Segundo
Gouveia e Melo, foco, capacidade de trabalhar na incerteza, disciplina,
responsabilização e mobilização foram algumas das mais-valias que os
militares trouxeram à coordenação da equipa que liderou o processo de
vacinação.O
vice-almirante recordou o episódio em que um grupo de negacionistas o
esperava com insultos, a porta de um centro de vacinação, e lhe
sugeriram que entrasse pela porta dos fundos ou esperasse pela polícia.
“Eu vou passar como um navio, com a sua proa, a empurrar toda a gente”,
retorquiu, arrancando palmas à centena de pessoas na sala.“Todos
os malucos que acham que o vírus não faz mal” são também “inimigos”,
apontou, sublinhando que é preciso “retirar margem de manobra aos
negacionistas”.“Serão todos forçadamente vacinados – ou pelo vírus ou pela vacina. Se quiserem esperar, façam favor”, disse.