Comunicação da SATA impediu 'abertura de concurso para rotas dos Açores antes de março de 2024'
7 de nov. de 2023, 11:33
— Lusa/AO Online
“Mesmo
que o concurso tivesse sido lançado este ano, até março de 2024 a SATA
seria obrigada sempre pela Comissão Europeia a efetuar estas rotas sem
apoio, porque já tinha notificado o Governo português. Se a SATA tivesse
dito: eu asseguro enquanto os senhores não lançam o concurso – que não
disse – o Governo português podia ter lançado o concurso muito mais
cedo”, afirmou Francisco César, numa conferência de imprensa, em Angra
do Heroísmo, na ilha Terceira.O Conselho
de Ministros autorizou, no dia 23 de outubro, a despesa de 45 milhões de
euros para a prestação de serviço público nas rotas não liberalizadas
com os Açores, por um período de cinco anos a partir de março de 2024.Em
causa estão as ligações entre as ilhas do Faial, Pico e Santa Maria a
Lisboa e entre as ilhas de São Miguel e a Terceira à Madeira.O
Orçamento de Estado para 2023 já contemplava uma verba de 9 milhões de
euros para as OSP dessas rotas, mas segundo o deputado socialista à
Assembleia da República o Governo não podia lançar o concurso com data
anterior a março de 2024, por imposição da Comissão Europeia.Francisco
César salientou que a Azores Airlines, do grupo SATA, “efetua essas
rotas ao abrigo de obrigações de serviço público, que existem”, desde
2015, mas há um ano e meio comunicou que as rotas eram “deficitárias” e
“não estaria em condições de as poder efetuar”.No
entanto, o deputado disse que a SATA enviou uma “comunicação por
escrito” ao Governo da República comprometendo-se a assegurar estas
rotas até março de 2024, o que levou a Comissão Europeia a impedir a
abertura de um concurso com data anterior.“Não
é possível ao Governo português compensar uma empresa que resolveu
fazer rotas ao abrigo de outras obrigações de serviço público que estão
em vigor. Por lei é impossível compensar a empresa”, acrescentou.Francisco
César ressalvou ainda que as novas OSP “não são obrigatoriamente para a
SATA, são para a empresa que apresentar melhores condições”.Questionado
sobre a inscrição da verba de 9 milhões de euros no Orçamento de Estado
para 2023, o deputado alegou que o objetivo era ter “o mais rapidamente
possível o concurso pronto, para que no momento não houvesse qualquer
tipo de atraso”.Numa conferência de
imprensa em Angra do Heroísmo, os deputados socialistas eleitos pelos
Açores afirmaram que é por proposta do PS que as novas OSP incluem a
rota Terceira-Funchal.“É uma conquista
muito importante para reforçar a conectividade do aeroporto da ilha
Terceira com outras oportunidades, com a oportunidade direta com o
Funchal e com outras oportunidades indiretas”, avançou o deputado Sérgio
Ávila.Francisco César lembrou que a
Madeira tem poucas ligações diretas ao continente norte-americano,
alegando que a Terceira pode funcionar como escala, à semelhança do que
já acontece nas ligações com Ponta Delgada.Questionado
sobre o número de ligações entre Terceira e Funchal abrangidas pelas
OSP, o deputado disse que ainda não estava definido.“Os
moldes concretos serão definidos mais tarde, porque a autorização
legislativa já existe para a despesa. Este enquadramento será feito
muito em breve”, explicou.O Governo
Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) também já tinha dito que tinha
reivindicado a integração da rota Terceira-Funchal nas OSP.“É
com satisfação que verificamos que o Governo da República acolheu
contributos nossos para enriquecer os termos em que as obrigações de
serviço público são prestadas, por exemplo, reforçando a conectividade
externa com a ilha Terceira, através da ligação ao Funchal”, disse, em
outubro, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas,
Berta Cabral.