Comité Olímpico lamenta documento sem novidades para o desporto
OE2023
17 de out. de 2022, 10:54
— Lusa/AO Online
“Trata-se
de um aumento nominal, que dificilmente se traduzirá em crescimento
atendendo ao valor previsto para a inflação”, lê-se no comunicado
divulgado hoje pelo organismo olímpico, no qual analisa o Orçamento do
Estado apresentado no dia 10 pelo Governo liderado por António Costa,
concluindo que "mantém uma linha de continuidade, não se antevendo como
permitirá inverter o défice de desenvolvimento desportivo do país no
quadro europeu".O COP lamenta que a
proposta não tenha “qualquer novidade ou alteração significativa e
dificilmente poderia ser substancialmente diferente do que se conhece,
sem uma reforma do modelo público de financiamento ao setor, assente
basicamente na previsão da arrecadação das receitas dos jogos sociais”,
que considera insuficientes.“Além das
regras de cativação orçamental, a que o Orçamento do Estado (OE) para
2023 provavelmente estará sujeito e de uma receita previsional que
assenta numa estimativa de distribuição das receitas dos jogos sociais,
que pode não ocorrer, é expectável o já acontecido em anos anteriores,
ou seja, uma execução orçamental ainda abaixo da respetiva dotação”,
advertiu o COP.Já na passada sexta-feira, o
presidente do COP, José Manuel Constantino, se tinha mostrado
apreensivo com o aumento do custo de vida, por ocasião da celebração dos
contratos-programa de preparação olímpica e paralímpica para Paris2024.“Após
o sinal positivo dado pelo Governo no que respeita aos contratos de
preparação olímpica e paralímpica, era possível, e por isso expectável,
mesmo sem uma reforma do modelo de financiamento público ao desporto, um
orçamento apesar de tudo mais robusto e com valores bem diferentes dos
apresentados”, reconheceu o organismo.Sem
alterações significativas, o COP conclui que, assim, “Portugal
dificilmente deixará de manter um posicionamento abaixo da média
europeia e sentirá acrescidas dificuldades em matéria de competitividade
externa”, apesar dos alertas.“Esta
tendência, bem como os dados recolhidos pela Comissão Europeia, que
posicionam o país abaixo da média europeia no financiamento per capita
ao desporto, com uma elevada dependência do financiamento público,
manter-se-á e não desagrava a sustentabilidade do setor”, notou o COP,
assinalando o “decréscimo de prática da atividade física e desportiva”
e, consequentemente, a dificuldade em cumprir “o objetivo do Governo em
colocar Portugal no grupo dos 15 países europeus com melhores
indicadores naquele âmbito, e não se antevê como possa ser atingido no
prazo estimado (2029)”.O COP diz confiar
agora na discussão parlamentar do documento, naquela que “é ainda uma
oportunidade para reforçar o setor do Desporto e nesse sentido de poder
responder quer aos objetivos que o Governo estimou, quer às necessidades
das organizações desportivas”.Apesar do
aumento em 1,6 ME, a despesa com o setor desportivo do país fica ainda
5,3 milhões de euros abaixo do valor estipulado em 2019.