Comité das Regiões Europeu defende renovação e reforço da política de Coesão
29 de nov. de 2023, 18:51
— Lusa
“A União Europeia não
pode sobreviver sem esta política”, afirmou Vasco Cordeiro, defendendo
“uma reforma audaciosa, centrada nos cidadãos, na previsibilidade, no
princípio da parceria e na simplificação” através da qual a política de
Coesão “poderá ver reforçado o seu papel de política estrutural e
transformadora a longo prazo".A posição
foi expressa na sessão plenária do Comité das Regiões, em Bruxelas, onde
hoje foi aprovado um parecer do presidente, Vasco Cordeiro, co-redigido
com o presidente da Comissão para a Política de Coesão Territorial e
Orçamento da União Europeia (UE), Emil Boc.O
documento reúne recomendações dos líderes locais e regionais,
sublinhando “o papel central desempenhado pela política de Coesão na
superação das crises recentes que assolaram a UE” e defendendo a
importância de manter “um apoio substancial e orientado para todas as
regiões, de modo a que estas possam enfrentar também os desafios das
alterações climáticas, da digitalização, do despovoamento, para além das
dificuldades estruturais que ainda persistem”, de acordo com um
comunicado do Comité das Regiões.Na
sessão, Vasco Cordeiro afirmou que “para continuar a servir as
populações, a política de Coesão não pode continuar exatamente como
está”, pelo que o Comité das Regiões, enquanto voz dos representantes
locais e regionais, apresentou “uma proposta clara de renovação desta
política, a fim de a tornar mais sólida e mais apetrechada para fazer
face aos novos desafios e às crescentes disparidades”.No
parecer é defendido que para fazer face a crises excecionais e a
catástrofes climáticas, como inundações e incêndios florestais, deve ser
criado um mecanismo que possa ser ativado a nível territorial. O
novo mecanismo “não só permitirá utilizar os fundos de forma flexível
sempre que se verifiquem essas circunstâncias, como também evitará a
necessidade de rever constantemente os programas operacionais, tal como
sucedeu várias vezes ao longo do período de 2014 a 2020, salvaguardando
assim os investimentos de longo prazo”, lê-se na nota do Comité das
Regiões.As regiões e os municípios
solicitam ainda a criação de um “pacto de parceria europeu”, que defina
um conjunto único de regras e objetivos para todos os fundos em regime
de gestão partilhada, assegurando, assim, uma maior coerência,
simplificação e flexibilização na aplicação destas verbas comunitárias. O
pacto abrangeria também o Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento
Rural (FEADER) e novos instrumentos em modo de gestão híbrida, como o
Fundo Social em matéria de Clima, ainda por lançar.Referindo-se
às Regiões Ultraperiféricas, Vasco Cordeiro lembrou que “oferecem
potencialidades únicas no quadro da UE e das suas prioridades atuais e
futuras”, salientando que o parecer destaca “o papel fundamental da
política de Coesão no apoio a estes territórios, face às suas
características estruturais permanentes.Além
disso, acrescentou, os desafios específicos inerentes às regiões
ultraperiféricas também devem merecer especial cautela”, como as
"questões da acessibilidade territorial, dos transportes e da
conectividade, que estão estreitamente interligadas e devem ser tratadas
em conjunto com os objetivos da política de Coesão".O
Comité, a primeira instituição europeia a emitir uma posição sobre o
futuro da política de Coesão, preconiza no parecer que todas as regiões
europeias devem continuar a ser elegíveis para financiamento; que o
modelo de gestão partilhada, a governação a vários níveis e o princípio
da parceria devem ser mantidos como princípios orientadores da política
de coesão pós-2027 e que a suspensão dos fundos por parte dos governos
nacionais deve ser eliminada, já que “investimentos a longo prazo não
podem estar subordinados a decisões tomadas a nível nacional”.Ainda
de acordo com o documento, os investimentos nacionais e regionais
necessários para os projetos cofinanciados pela política de Coesão da UE
devem ser excluídos do cálculo das despesas – e, por conseguinte, da
dívida – no âmbito das regras orçamentais da EU.Por
outro lado, o objetivo da coesão territorial deve ser vinculativo em
todas as políticas europeias e a arquitetura global do financiamento
deve ser simplificada para acabar com a proliferação de instrumentos de
investimento direta ou indiretamente destinados à coesão.O
parecer será publicado no Jornal Oficial da União Europeia e enviado
aos deputados ao Parlamento Europeu, aos comissários competentes da UE e
aos representantes dos 27 Estados-Membros.