Comité das Regiões destaca emprego e habitação como “desafios” a discutir no Fórum Social do Porto
24 de mai. de 2023, 07:31
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, Vasco Cordeiro, que vai participar no Fórum
Social do Porto – evento que decorre sexta-feira e sábado que visa
reafirmar o papel dos direitos sociais na União Europeia (UE) e dar
continuidade aos compromissos assumidos na Cimeira Social realizada em
2021 – disse que em dois anos “muito foi feito, mas claramente fruto da
conjuntura, há ainda muito para fazer”.“O
emprego e a inclusão social, o combate à pobreza, e as políticas de
habitação são temas que dão atualidade ao Fórum Social do Porto e que
radicam de há dois anos, mas que se revestem de novos desafios que
derivam de uma nova conjuntura que entretanto foi acontecendo. O pós
covid-19 já tínhamos, mas a agressão russa à Ucrânia não. A realidade
alterou-se e o facto de ter mudado coloca novos desafios às preocupações
que foram expressas na cimeira [de 2021]”, disse Vasco Cordeiro.O
responsável por um órgão composto por 329 membros que representam os
órgãos de poder local e regional dos Estados-membros da UE, referiu que
“a Cimeira Social do Porto [realizada em 2021] foi um acontecimento
particularmente relevante no âmbito da presidência portuguesa da UE e
que permitiu reafirmar um conjunto de aspetos que tiveram
desenvolvimento ao longo destes dois anos”, mas além da “constatação de
que já muito foi feito”, exige-se a constatação de que “ainda há muito
para fazer”.“E uma das áreas em que os
municípios e as regiões têm um papel determinante é a habitação. Esse
papel deriva do exercício de competências que nos são próprias, mas
também tem a ver com a sua integração nas estratégias ao nível da UE e
na possibilidade de aceder aos instrumentos financeiros que a UE define
para alcançar esses desafios. A habitação é, atualmente, uma das
questões mais prementes em todo o espaço da União Europeia”, refletiu.Paralelamente,
Vasco Cordeiro avançou à Lusa que o Comité das Regiões vota esta semana
um parecer para uma estratégia europeia para o desemprego de longa
duração.Também questionado sobre temas
como a integração de novos membros na UE, o presidente do Comité das
Regiões, que vai participar no Fórum Social do Porto numa sessão com o
nome “O Ano Europeu das Competências como motor da dupla transição”, fez
um balanço dos programas que este órgão tem levado a cabo nesta
matéria.“O Comité das Regiões trabalha o
reforço da capacidade da governação local e regional para uma melhor e
mais profícua integração. Esse trabalho está a ser feito em diversas
vias”, disse Vasco Cordeiro, dando o exemplo do programa para jovens
políticos eleitos a nível local e regional que este ano foi alargado aos
países candidatos.Neste programa
“participam cerca de centena e meia de jovens eleitos locais, sendo
algumas dezenas provenientes de países [candidatos à UE] como a
Moldávia, a Bósnia Herzegovina ou a Ucrânia”, acrescentou.Já
particularizando no caso da Ucrânia, “um país que sofreu uma agressão
militar, um país que está em guerra, um país que enfrenta a necessidade
de reconstrução e precisa de apoio para reabilitar as infraestruturas
básicas necessárias à vida”, Vasco Cordeiro destacou o programa que, no
âmbito da apresentação de uma aliança europeia de municípios e regiões
para a reconstrução do país, o levou a visitar Kiev e a encontrar-se com
Volodymyr Zelensky em abril.“É importante
fomentar as parcerias diretas entre cidades e regiões da UE com cidades
e municípios da Ucrânia. A nível europeu há muitos exemplos. Posso dar
um português que está a correr muito bem: Cascais está a apoiar a
reconstrução de um jardim-de-infância na Ucrânia”, contou, acrescentando
que também no acolhimento de refugiados “as cidades da UE estiveram e
estão na linha da frente”.Organizado pelo
Governo português realiza-se, entre sexta-feira e sábado, o Fórum Social
do Porto que visa dar continuidade aos compromissos assumidos na
Cimeira Social realizada em 2021, na qual foram adotados objetivos como
alcançar uma meta de pelo menos 78% de emprego na UE em pessoas entre os
20 e os 64 anos, garantir formação anual a pelo menos 60% dos adultos e
ainda reduzir em pelo menos 15 milhões, cinco milhões dos quais
crianças, o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social.Realizada
durante a presidência portuguesa do Conselho da UE, a Cimeira Social do
Porto de há dois anos reforçou, assim, plano de ação da Comissão
Europeia para o desenvolvimento do Pilar Europeu dos Direitos Sociais,
através de uma posição conjunta subscrita pelos presidentes do
Parlamento Europeu e da Comissão Europeia e por todos os parceiros
sociais (sindicatos, empregadores e plataforma das organizações
sociais).Este Fórum Social visa, então,
avançar nesses compromissos, mas também promover os esforços dos
Estados-membros na área da valorização das competências e da
aprendizagem ao longo da vida, nomeadamente ao nível da transição
digital, bem como reafirmar os valores sociais europeus em termos
geopolíticos, numa altura em que se discute o alargamento do bloco
comunitário.