Comité consultivo altera recomendações da vacinação contra o sarampo e outras doenças infantis nos EUA
26 de set. de 2025, 15:42
— Lusa/AO Online
O novo Comité Consultivo sobre Práticas de Imunização (ACIP, na sigla
em inglês) justifica a decisão com o risco de efeitos secundários
mínimos e inofensivos associados à vacina tetravalente contra estas
quatro doenças, nomeadamente a ocorrência de convulsões febris.
De acordo com a nova recomendação, divulgada na quinta-feira, a
vacinação desta faixa etária será agora feita através de duas vacinas
distintas que já eram recomendadas como alternativa: uma injeção contra
as três primeiras doenças (VASPR) e outra apenas contra a varicela.
No entanto, o ACIP manteve inalterada a recomendação para a faixa
etária seguinte, dos quatro aos 12 anos, para a qual continua a preferir
a administração da vacina tetravalente contra o sarampo, a papeira, a
rubéola e a varicela, dado que os riscos são mais reduzidos nestas
idades. Especialistas alertaram contra tal
medida, que, segundo eles, semearia dúvidas de forma desnecessária e
complicaria o acesso a estas vacinas.
"Qualquer mudança deve fortalecer, e não enfraquecer, o sistema que
garante a saúde das nossas crianças", disse a epidemiologista Syra Madad
à agência de notícias France-Presse.
"Esta é mais uma estratégia para assustar os pais", disse aos
jornalistas Sean O'Leary, especialista em doenças infecciosas
pediátricas. A vacinação recomendada para
crianças nos Estados Unidos é evitada ou adiada por um em cada seis
pais, que indicam falta de confiança nas vacinas e nas autoridades de
saúde, segundo uma sondagem divulgada na terça-feira.
Conduzida pelo The Washington Post e pela organização sem fins
lucrativos KFF, a sondagem a mais de 2.500 pais mostra que a grande
maioria destes continua a apoiar as atuais exigências de vacinação. Mas as taxas de vacinação têm vindo a recuar no país desde a pandemia de covid-19.
A proporção de crianças em idade pré-escolar vacinadas contra o sarampo
desceu a nível nacional de 95% em 2019 para 92,5% em 2024, com
variações regionais significativas. No Idaho (noroeste), está agora abaixo dos 80%, longe dos 95% recomendados para garantir a imunidade de grupo.
Como resultado deste declínio nas taxas de vacinação, os Estados Unidos
vivem em 2025 a sua pior epidemia de sarampo em mais de 30 anos, com
três mortes, incluindo duas crianças. Esta
mudança de recomendação quanto à vacina combinada contra o sarampo,
papeira, rubéola e varicela pode ser seguida por outras.
O comité nomeado por Robert Kennedy Jr., figura de destaque do
movimento antivacinas, também examinou a vacinação de recém-nascidos
contra a hepatite B e planeia avaliar hoje as vacinas contra a covid-19.
Outras vacinações, sobretudo para as grávidas, serão reexaminadas mais
tarde, anunciou Martin Kulldorff. O bioestatístico que lidera o comité
garantiu que o grupo era "pró-vacina", em contraste com as "falsas
alegações". "Quando há opiniões científicas divergentes, confie apenas em cientistas dispostos a dialogar e a debater publicamente", disse.
Wilbur Chen, especialista em doenças infecciosas, discorda. "Não têm
qualquer intenção de debater com base em ciência sólida", atirou à AFP.
"Apenas repetem informações falsas e falsificadas", lamentou.