Comissão vitivinícola defende urgência para implementar Instituto da Vinha nos Açores
26 de jun. de 2024, 14:55
— Lusa
Vasco Paulos falava
na comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores, reunida
em Angra do Heroísmo, no âmbito da Proposta de Decreto Legislativo
Regional n.º 5/XIII – “Primeira alteração ao Decreto Legislativo
Regional n.º 6/2022/A, de 22 de março, pelo qual foi criado o Instituto
do Vinho e da Vinha dos Açores (IVVA)”.A
proposta de alteração já tinha sido analisada em sede de comissão há
cerca de um ano e volta agora a ser discutida com a nova legislatura,
após as eleições regionais de fevereiro.Em
02 de maio deste ano, o Conselho do Governo aprovou a proposta de
Decreto Legislativo Regional que efetiva a criação do Instituto da Vinha
e do Vinho dos Açores, esperando que, se não houver atrasos, o novo
organismo regional seja “uma realidade em 2025”, conforme adiantou, na
ocasião, o secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António
Ventura.Hoje, na audição no parlamento
açoriano, o presidente da Comissão Vitivinícola dos Açores reiterou a
concordância com a criação deste organismo, que está para ser
implementado desde há três anos, vincando que o setor está "em franco
crescimento", como se nota pelo "número de agentes económicos que a CVRA
possui atualmente a certificar vinhos"."Atualmente
a área das vinhas na região é já bastante considerável e são cerca de
1.200 hectares aptos a produzir vinhos de denominação de origem e de
indicação geográfica, e tem de haver uma sustentabilidade do setor",
referiu.Existem atualmente 34 agentes
económicos a certificar vinhos na região, dos quais 22 na ilha do Pico,
seis na Terceira, um na Graciosa, quatro em São Miguel e um em Santa
Maria, que são responsáveis por produzir perto de 100 marcas comerciais,
correspondentes a cerca de 150 referências comerciais.Ainda
de acordo com o responsável, "2020, 2021 e 2022 foram anos maus" em
termos de produção, mas em 2019 o cenário foi inverso, já que "foi um
ano excecional". Nesse ano a CVRA "certificou cerca de 660 mil litros"."Em
2023 certificámos quase 400 mil e, se os anos forem favoráveis,
prevê-se que possa haver um volume de vinho considerável", acrescentou,
ao reiterar a urgência de implementação do IVVA.Vasco
Paulos explicou que a CVRA enfrenta não só o desafio "em termos de
certificação e de defesa" destes produtos, como também no que se refere à
divulgação e promoção para colocação no mercado deste volume de vinho,
"em nichos especiais e que não são fáceis de agarrar".Além
de ser um organismo que poderá concorrer a apoios para este tipo de
divulgação, o instituto "terá outros meios que a CVRA não tem neste
momento para fazer esta promoção e garantir o escoamento do produto” num
nível elevado, justificou.O responsável
destacou também como outras das vantagens a possibilidade "congregar no
mesmo organismo as sinergias inerentes ao setor na região" e que estão
atualmente dispersas.A principal
preocupação, indicou, "é manter os apoios à manutenção" para se
consolidar a área das vinhas existente e ter "um vinho bem cotado, de
qualidade, que garanta em toda a cadeia de produção que as uvas podem
ser bem pagas", assegurando que "não há desmotivação" por parte dos
vitivinicultores.Sobre uma petição
assinada por um grupo de produtores a reivindicar uma maior presença do
setor no instituto e a equiparação do seu presidente ao cargo de
diretor-geral - um documento que já foi discutido na comissão de
Economia -, o representante disse que concorda com as mudanças
propostas, mas em termos de diploma não vê “alterações de fundo a serem
implementadas"."É com satisfação que vejo
esta alteração legislativa acontecer, que prevê a transição das
competências da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores para o
instituto a ser instalado, e também a transição do quadro de pessoal da
CVRA para o IVVA", afirmou.O representante
explicou aos deputados que desde há um ano se registou "uma pequena
alteração" em termos de quadro de pessoal da CVRA, atendendo ao
crescente número de marcas, o que motivou um maior volume de trabalho.Nesse
sentido, atualmente o quadro de pessoal da CVRA é composto por quatro
técnicos superiores e dois assistentes técnicos, quando há cerca de um
ano eram três técnicos.Quanto à situação
económica e financeira da CVRA, admitiu que houve um período de “algum
sufoco em termos financeiros”, porque a última tranche referente às
transferências de 2023 “chegou apenas no mês de maio”, mas “os ordenados
foram pagos a tempo e horas, com a chegada dessa transferência de
verbas”."Esperamos que tudo se resolva com
a publicação do Orçamento e que, em pouco tempo, possamos
candidatar-nos e ter o necessário apoio para 2024", disse.