Comissão Parlamentar de Ambiente quer contaminação dos solos resolvida rapidamente
9 de out. de 2017, 06:15
— Lusa/AO Online
“Um dos aspetos que mais nos preocupa é
precisamente o problema relacionado com os solos contaminados da zona da
base das Lajes”, afirmou aos jornalistas Pedro Soares, que integrou o
grupo de deputados desta comissão recebido em audiência pelo presidente
do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, em Ponta Delgada, ilha
de São Miguel, no âmbito de uma visita de três dias que os parlamentares
estão a efetuar ao arquipélago.Segundo Pedro Soares, os
deputados querem “perceber toda a evolução do processo e poder
contribuir também para que esta situação grave de contaminação dos
solos” seja “resolvido rapidamente e que as autoridades norte-americanas
possam contribuir de forma decisiva” para a sua resolução.Referindo
que a missão da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território,
Descentralização, Poder Local e Habitação é acompanhar e fiscalizar a
ação do Executivo nacional, o parlamentar salientou que pretendem
contribuir para que o Governo da República “tenha um posicionamento que
permita que esta situação seja resolvida rapidamente”.“O sr.
presidente [do Governo Regional] considera que esta é uma questão
central para a região autónoma e se é uma questão central para a região
autónoma é também uma questão central para todo o país”, adiantou.Em
2005, num estudo realizado pelos militares norte-americanos, foram
identificados 35 locais contaminados com hidrocarbonetos e metais
pesados nos solos e aquíferos da ilha Terceira. A contaminação foi
confirmada, em 2009, por estudos do Laboratório Nacional de Engenharia
Civil.Na sequência da redução da presença norte-americana nas
Lajes, anunciada em 08 de janeiro de 2015, os Açores apresentaram um
plano de revitalização económica da ilha Terceira, no qual pedem ao
Governo nacional que assegure junto dos Estados Unidos 167 milhões de
euros anuais, durante 15 anos, para a ilha.Mais de metade dessa
verba - 100 milhões de euros anuais - tem como destino a "reconversão e
limpeza ambiental" de infraestruturas e terrenos construídos e ocupados
pelos Estados Unidos ao longo dos mais de 60 anos.Vasco Cordeiro
reiterou que este assunto é uma “prioridade” e reconheceu que “nesta
fase há um conjunto de interlocutores da parte da administração
norte-americana que mudaram”, pelo que é necessário que estes tenham o
“tempo necessário” para analisar os dossiês, para que este trabalho
possa ser continuado.“É um trabalho de sensibilização, de dar a
conhecer a importância que esta matéria tem não apenas ao nível político
na relação entre Portugal e os Estados Unidos, mas do ponto muito
prático para os Açores e, em especial, para a ilha Terceira”, referiu.Assinalando
que há matérias desta comissão parlamentar que estão regionalizadas,
como o ordenamento do território ou o ambiente, o chefe do executivo
regional disse acompanhar “com interesse aquele que é um desígnio
anunciado pelo Governo da República”, a descentralização, ao qual
reconhece “valia e mérito”.Questionado se teme que no futuro haja
dois tipos de municípios no país, os das regiões autónomas e os de
Portugal continental, Vasco Cordeiro respondeu negativamente.“O
que me parece importante é que em todo este processo se tenha em conta
que na definição das soluções de descentralização para todo o país, no
caso dos Açores e da Madeira existe um nível de poder, o poder
regional”, disse, expressando “confiança de que dessa diferença poderá
resultar algo de muito bom e de muito meritório, quer para as autarquias
das regiões autónomas, quer para os açorianos e os madeirenses”.