Comissão para Reforma da Autonomia dos Açores continua a trabalhar consensos
22 de mar. de 2019, 18:37
— Lusa/AO Online
O ponto de situação dos trabalhos foi feito
pelo presidente da comissão, o socialista Francisco Coelho, que convocou
a comunicação social à delegação da Assembleia Legislativa da Região
Autónoma dos Açores (ALRA) em Ponta Delgada.O
anúncio serviu para “lembrar que, conforme foi deliberado, a CEVERA, em
subcomissão, através de um grupo de trabalho onde todo os grupos e
representações parlamentares estão representados, tem vindo a reunir
todos os meses, desde janeiro, dois dias por mês, e tem, na sequência
das propostas apresentadas até dia 31 de dezembro, trabalhado no sentido
de apontar a constatar quais são os pontos de convergência, sobre os
diversos campos e as diversas propostas, os pontos de divergência maior e
os pontos de possível afinamento para depois partirmos para esse
trabalho de convergência”, salientou.O
ex-presidente do parlamento açoriano salientou propostas como a criação
de um círculo eleitoral dos Açores, e também da Madeira, para o
Parlamento Europeu, proposta formalmente apresentada à comissão pelo PS,
CDS-PP e PPM, e que também conta com o apoio do PSD, tendo o Bloco de
Esquerda já se manifestado contra a medida.Em
cima da mesa estão, também, medidas sobre a lei eleitoral na região,
que propõem, por exemplo, uma paridade de 40% a 50% nas listas
apresentadas para a Assembleia Regional, ou “a agilização de
procedimentos da facilitação do voto em mobilidade”, explicou.Outro
dos pontos que tem sido debatido na SUBCEVERA é a extinção do cargo de
Representante da República, uma medida que reúne “um consenso
generalizado”, havendo, no entanto, divergências em relação à figura que
seria criada em alternativa.De momento,
as alternativas são, como defende o PS, “uma que tem mais a ver com o
sistema parlamentar de gabinete, uma solução que reconhecemos em algumas
autonomias espanholas, no sentido de algumas dessas competências
passarem para o presidente do executivo”, ou, conforme proposta do Bloco
de Esquerda, uma solução que passa por um “sistema parlamentar mais
puro” e que implicaria a existência de “um presidente da região,
independentemente do nome, eleito pelo próprio parlamento, que ficaria
com essas competências de Representante da República”.O
presidente da comissão ressalva que “tem existido um trabalho de uma
informalidade muito positiva e muito construtiva” por parte de todos os
presentes no grupo de trabalho, “inclusive no sentido de alguns partidos
já terem manifestado disponibilidade de, numa negociação global,
eventualmente as suas posições evoluírem”.“E isso que terá que acontecer, em alguns casos, da parte de todos, e inclusive do Partido Socialista”, considerou o deputado.Francisco
Coelho avançou ainda que espera que, “durante o corrente ano”, seja
possível “consensualizar e aprovar o máximo de iniciativas possíveis
(…), no sentido de elas depois poderem seguir o seu trâmite”.“A
maioria será da competência da Assembleia da República”, explicou,
adiantando que a intenção é que, “no início da próxima legislatura,
estas iniciativas sejam apresentadas junto à Assembleia da República,
para poderem ser, durante o próximo ano, negociadas e aprovadas”.A
subcomissão da CEVERA foi criada a 07 de janeiro, por deliberação dos
membros da comissão, que consideraram que “seria útil, em termos
metodológicos”, e conta com três deputados do PS, dois do PSD e um de
cada um dos restantes grupo e representações parlamentares.