Comissão Nacional garante que representação da Educação nas CPCJ não está em causa
3 de set. de 2025, 15:30
— Lusa/AO Online
“A
representação do Ministério da Educação nas Comissões de Proteção de
Crianças e Jovens (CPCJ) não está posta em causa, nem nunca foi posta em
causa”, assegurou Ana Isabel Valente em declarações à agência Lusa.A
presidente da CNPDPCJ reuniu com representantes de várias CPCJ
sobre as novas orientações do Ministério da Educação, Ciência e Inovação
para a alocação de professores às comissões.Todos
os anos, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) autoriza a
mobilidade temporária de professores, através de destacamento para o
exercício de funções letivas noutras escolas públicas, ou requisição
para o exercício de funções de natureza técnica ou técnico-pedagógica
fora do sistema educativo.Além de
municípios, associações culturais, fundações ou instituições da
administração pública, também as CPCJ recebem professores, que assumem
funções de representante ou de apoio técnico, mas no próximo ano letivo
as funções vão passar a ser atribuídas pelos diretores.Em
linha com as novas regras para a mobilidade estatutária, que vão
implicar o regresso às escolas de docentes de disciplinas e zonas com
maior carência, os diretores deverão alocar às CPCJ docentes dispensados
de componente letiva.A orientação da
Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE), enviada às escolas no
verão, gerou contestação e preocupação junto das comissões, que alertam
para a dificuldade em substituir professores em algumas situações, onde
as escolas da área de influência não podem dispensar docentes, e para a
possível redução de recursos.Confirmando
as dificuldades hoje relatadas por alguns representantes durante a
reunião, a presidente da CNPDPCJ insistiu que todas as situações serão
resolvidas, em articulação com os serviços do MECI.“O
que queremos mesmo é resolver as situações de forma a manter a
estabilidade nas CPCJ e nos processos, e até melhorar a proteção dos
direitos das crianças e dos jovens”, disse Ana Isabel Valente.No
ano passado, o Ministério da Educação estava representado em 305 das
313 comissões. Ana Isabel Valente não sabe precisar quantos regressarão
às escolas, mas refere que muitos foram reconduzidos e não terão de ser
substituídos.Questionado pela Lusa, o MECI
também não diz quantos vão deixar as comissões, mas garante que “a
Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), está a acompanhar
a situação e a colaborar na solução para cada CPCJ”.“A
resposta dada foi sempre no sentido de esclarecer que serão as escolas a
indicar os professores da área de influência de cada CPCJ, pois devem
ser professores que lecionem na respetiva área de influência e que
conhecem o território, garantindo um apoio sequencial”, afirma o
gabinete do ministro Fernando Alexandre.Por
outro lado, a presidente da CNPDPCJ lembra que a lei de proteção de
crianças e jovens em perigo não impõe que os representantes da Educação
sejam docentes e o protocolo assinado em 2024 prevê que “deverão ser,
preferencialmente, professores”.“Não sei
se há mais-valia em ser um professor”, reconheceu a presidente da
Comissão Nacional, defendendo que o mais importante é que estes
técnicos, que lidam com casos de crianças em perigo, tenham motivação e o
perfil adequado.