Comissão lamenta divulgação de relatório sobre incêndio no hospital de Ponta Delgada
11 de jun. de 2025, 16:25
— Lusa/AO Online
“Tendo
em conta a divulgação, pela comunicação social, de conclusões da
proposta de relatório entregue às senhoras e senhores deputados no
passado dia 6 de junho, a Mesa da Comissão Parlamentar de Inquérito ao
Incêndio no HDES [Hospital do Divino Espírito Santo] lamenta a sua
divulgação indevida tendo em conta o constante no n.º 7 do artigo 16.º
do Regimento da Comissão Parlamentar que proíbe, expressamente, a sua
divulgação prévia”, é referido num comunicado de imprensa.No
comunicado, os deputados Berto Messias (presidente da Comissão),
Cristina Calisto (relatora) e Salomé Matos (secretária) esclarecem que
as notícias divulgadas sobre as conclusões do relatório correspondem
“apenas a propostas de conclusões constantes de uma versão preliminar do
relatório” e “não podem, nesta fase, ser tomadas como definitivas ou
vinculativas”.“O relatório final da
comissão será o documento que resultar da respetiva apreciação e
votação, agendadas para o próximo dia 16 de junho”, assinalam.No
entanto, a Mesa "encetará as diligências necessárias para o apuramento
da responsabilidade do atropelo ao regimento da comissão", revela."Os
deputados que compõem a Comissão e os que nela participam, os membros
dos gabinetes dos grupos e representações parlamentares indicados para
apoiar os seus deputados na Comissão e os funcionários parlamentares que
prestam apoio à Comissão estão sujeitos ao dever de sigilo em relação a
todos os factos e informações de que só possam ter conhecimento no
exercício ou em resultado do exercício das suas funções", explicam.Em
caso de violação de dever de sigilo, a Comissão deve promover uma
investigação sumária e deliberar, por maioria qualificada de dois
terços, sobre a sua verificação e a identidade do seu autor, para
efeitos de comunicação ao presidente da Assembleia Legislativa, explica
ainda.A comissão de inquérito ao incêndio
no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, na ilha
de São Miguel, nos Açores, concluiu que a construção do hospital modular
levanta dúvidas de legalidade e regularidade financeira e que a decisão
não foi suportada em estudos técnicos e económico-financeiros.“Os
processos de contratualização subjacente à conceção, construção,
apetrechamento e funcionamento do hospital modular, levantam dúvidas
quanto à legalidade e regularidade financeira”, lê-se nas conclusões da
versão do projeto de relatório, que ainda terá de ser votada pelos
deputados, a que a Lusa teve acesso, na segunda-feira. O
documento, cujas principais conclusões foram noticiadas pela agência
Lusa, revela também, entre outros aspetos, que os técnicos do hospital
já tinham detetado e reportado uma anomalia na bateria de condensadores,
que não foi corrigida, antes do incêndio de maio de 2024.“A
origem do incêndio foi uma avaria numa bateria de condensadores do
sistema de correção do fator de potência, instalada na galeria técnica
do piso 1. Esta anomalia, na bateria dos condensadores, foi identificada
pelos técnicos previamente ao incêndio, reportada ao conselho de
administração do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), mas não foi
corrigida atempadamente”, lê-se.O HDES, o
maior dos Açores, foi afetado por um incêndio no dia 04 de maio de 2024,
que obrigou à transferência de doentes para outras unidades de saúde da
região e do país.Na sequência do
incêndio, foi decidido instalar um hospital modular junto ao edifício,
para assegurar os cuidados de saúde prestados pelo hospital até à sua
requalificação.Em fevereiro de 2025, foi
criada uma comissão de inquérito na Assembleia Legislativa dos Açores,
proposta pelo PSD, com o propósito de apurar as circunstâncias, causas,
responsabilidades e consequências do incêndio, bem como avaliar a
resposta institucional subsequente.O relatório final deverá ser remetido ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público para os devidos efeitos legais.