Comissão Justiça, Paz e Ecologia condena demolições em Loures e na Amadora
17 de jul. de 2025, 16:38
— Lusa/AO Online
“A
Comissão Justiça, Paz e Ecologia da CIRP junta-se à dor, à indignação e
à coragem de tantas famílias e comunidades feridas — muitas com
crianças, idosos e vidas em construção. Não fechamos os olhos à
ilegalidade. Mas não aceitamos que se responda à crise habitacional à
custa dos últimos”, sublinhou aquele organismo em comunicado hoje
divulgado.Para a CJPE-CIRP, “as soluções
criadas com as pessoas que delas precisam, e não contra elas, têm mais
justiça, viabilidade, mais legitimidade social e melhor impacto
transformador”.No comunicado, que “procura
ser uma palavra de denúncia, de apelo e de esperança”, a Comissão
considera que “as construções ilegais não são a solução”, mas recorda
que “também ilegais foram outras habitações que deram abrigo a muitos
milhares de pessoas na ausência de melhores alternativas, algumas hoje
legalizadas, construídas em períodos de emergência habitacional — como o
pós-25 de Abril”.“O que se aprendeu sobre
a ausência do Estado na habitação durante estes períodos?”, questiona
aquele departamento dependente da Conferência dos Institutos Religiosos
de Portugal, para quem “é injusto aplicar estes procedimentos
[demolições] sobre populações sem alternativa, principalmente quando o
próprio poder público não garante as oportunidades e o apoio necessário
para um acesso equitativo aos bens essenciais, à habitação e ao
habitat”.Por outro lado, a CPJE-CIRP
considera, ainda, que “notificações em 48 horas, entregues ao fim do dia
de uma sexta-feira e sem acesso garantido a apoio judiciário, são
medidas intoleráveis” e “negam às famílias o tempo e os meios mínimos
para compreenderem, se defenderem ou contestarem as decisões que as
afetam de forma tão grave”.“Mesmo para
famílias com estabilidade e rendimentos suficientes, mudar de casa exige
tempo, contratos, planeamento e, por vezes, fiadores. Para quem vive
numa situação de pobreza, precariedade e é racializado, essa exigência é
simplesmente cruel e impossível de cumprir”, acrescenta o comunicado.A
Comissão reclama a suspensão de todas as demolições e despejos sem
alternativa habitacional adequada, a aplicação efetiva da Lei de Bases
da Habitação, respostas dignas de alojamento provisório e pede às
famílias afetadas que “não se resignem. Não desistam umas das outras”.“Organizem-se,
falem com quem vos quer bem, peçam ajuda e não deixem de sonhar e de
propor caminhos. A vossa luta pela casa e pela vida é também uma luta
pela dignidade de todos nós”, acrescenta a CPJE-CIRP.As
autarquias de Loures e Amadora promoveram esta semana operações de
demolição de habitações precárias ilegais, desalojando várias famílias
nos dois concelhos.Loures iniciou na segunda-feira uma operação de demolição de 64, onde vivem 161 pessoas, no Bairro do Talude Militar.No
primeiro dia foram demolidas 51 construções, tendo a suspensão das
operações sido decretada no segundo dia pelo Tribunal Administrativo de
Lisboa na sequência de uma providência cautelar interposta por 14
moradores.Na Amadora, na Estrada Militar
da Mina de Água, no antigo bairro de Santa Filomena, está prevista a
demolição da totalidade das 22 construções ilegais, onde vivem cerca de
30 adultos e 14 crianças e jovens.