Comissão Europeia vai ativar mecanismo para suspender fundos à Hungria
5 de abr. de 2022, 17:07
— Lusa/AO Online
A
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou no
plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França), durante uma
sessão de perguntas e respostas, que decidiu enviar às autoridades
húngaras uma carta de notificação formal para iniciar este processo,
embora possa demorar meses até que Bruxelas apresente o caso aos
Estados-Membros para tomar uma decisão formal de reter fundos.O Governo húngaro já reagiu a este anúncio, qualificando como um “erro” a decisão de Bruxelas.Gergely
Gulyas, chefe de gabinete do primeiro-ministro, Viktor Orbán, pediu à
Comissão Europeia "para não punir os eleitores húngaros por não
expressarem uma opinião do agrado de Bruxelas nas eleições de domingo",
que o partido Fidesz venceu com grande margem.Aquele
mecanismo, que existe desde janeiro de 2021, mas que ainda não foi
utilizado, permitirá pela primeira vez suspender o pagamento de fundos
comunitários quando forem detetadas violações dos princípios do Estado
de Direito - como a independência judicial, igualdade perante a lei ou a
separação de poderes - que afetam a correta utilização dos fundos
europeus.Perante os eurodeputados, Von der
Leyen explicou que a análise pela Comissão das explicações recebidas do
Governo húngaro levou à conclusão de que se deve "avançar para o
próximo passo”, que é o envio da notificação formal do início do
processo."Isso ativa um processo que tem
um calendário específico, há um processo em curso", explicou Von der
Leyen, que assegurou que "não se perdeu nenhum caso" de violação do
Estado de Direito que ponha em risco o uso adequado do financiamento
comunitário na Hungria, país em tensão com Bruxelas há vários anos
devido aos seus problemas de corrupção e falta de independência
judicial.A utilização deste mecanismo
permite, em último caso, congelar o desembolso dos fundos de coesão,
agrícolas e até do fundo de recuperação para a Hungria, grande
beneficiária das rubricas de coesão, com 22.500 milhões de euros até
2027.O Parlamento Europeu recebeu o
anúncio com aplausos de pé, após meses a insistir que este instrumento
deveria ser utilizado para proteger os fundos europeus em países como a
Polónia ou a Hungria e até ameaçou levar a Comissão Europeia ao Tribunal
de Justiça Europeu por não lançar os seus próprios mecanismos.A
implementação deste mecanismo surge apenas dois dias depois de o
primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ter conquistado um quarto
mandato consecutivo, graças a uma vitória retumbante nas eleições
nacionais de domingo, e citar as instituições europeias e o presidente
ucraniano, Volodymyr Zelensky, como "adversários".