Comissão Europeia quer restringir viagens não essenciais para a UE por 30 dias
Covid-19
16 de mar. de 2020, 16:14
— Lusa/AO Online
“Informámos os
nossos parceiros do G7 que propusemos introduzir uma restrição
temporária a viagens não essenciais para a UE”, declarou em conferência
de imprensa, em Bruxelas, a presidente do executivo comunitário, Ursula
von der Leyen.Falando aos jornalistas após
uma videoconferência com o grupo dos países mais industrializados do
mundo (composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália,
Japão e Reino Unido), e do qual faz também parte a UE, a responsável
sustentou que “estas viagens não essenciais devem ser reduzidas de forma
a não propagar mais o vírus dentro da UE, […] mas também para não
colocar mais pressão sobre o sistema de saúde”.“Claro
que haverá exceções, por exemplo para os cidadãos da UE que queiram
regressar a casa, para os trabalhadores dos sistemas de saúde – como
médicos, enfermeiros e também cientistas que estão a trabalhar numa
solução para esta crise –, e ainda para residentes e trabalhadores
fronteiriços”, precisou Ursula von der Leyen.A responsável adiantou que a proposta é que a restrição seja aplicada “por um período inicial de 30 dias”.Também
presente na ocasião, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel,
apontou que “a filosofia” da UE passa por tentar “reduzir movimentos
desnecessários dos cidadãos, ao mesmo tempo que se garante que os bens
essenciais circulam livremente, para preservar o mais possível a
integridade do mercado único”.Nas suas
declarações à imprensa, Ursula von der Leyen apelou também a uma
coordenação na UE, frisando ser “importante os países vizinhos
harmonizem as suas medidas, de forma a que haja uma mensagem semelhante e
forte para os cidadãos”.Além disso,
“temos de restaurar a nossa confiança na economia e, de facto, é altura
de apoiarmos as nossas economias com determinação e com todos os
instrumentos apropriados de que dispomos”, vincou ainda, numa altura em
que Bruxelas admite a possibilidade de uma recessão na UE devido ao
surto do novo coronavírus.“O foco é fortalecer as nossas economias e investir o que for necessário”, concluiu Ursula von der Leyen.Já
Charles Michel apontou que o combate ao surto será “longo e difícil”,
pelo que solicitou “unidade” nos Estados-membros e responsabilidade dos
cidadãos.Também hoje, horas antes, o
presidente do Eurogrupo, o português Mário Centeno, afirmou que o surto
de Covid-19 está a ter um impacto na economia como em “tempos de
guerra”, mas garantiu que a Europa recorrerá a todas as suas armas para
travar uma batalha que antecipa “longa”.O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou cerca de 170 mil pessoas, das quais 6.500 morreram.Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.O
surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 140
países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a
declarar uma situação de pandemia.Depois
da China, que regista a maioria dos casos, a Europa tornou-se o
epicentro da pandemia, com mais de 55 mil infetados e pelo menos 2.335
mortos.A Itália com 1.809 mortos (em
24.747 casos), a Espanha com 297 mortos (8.794 casos) e a França com 127
mortos (5.423 casos) são os países mais afetados na Europa.Face
ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais,
incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.Em
Portugal, 331 pessoas foram infetadas até hoje, mas sem registo de
mortes, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).