Comissão Europeia pede orçamento português “coerente” com prudência orçamental
OE2023
22 de nov. de 2022, 17:16
— Lusa/AO Online
“A
Comissão convida Portugal a tomar as medidas necessárias no âmbito do
processo orçamental nacional para assegurar que o orçamento para 2023
seja coerente com a recomendação adotada pelo Conselho”, indica o
executivo comunitário na sua comunicação com a avaliação global sobre os
projetos orçamentais do próximo ano, hoje publicada.Tendo
em conta a proposta de OE2023 enviada por Lisboa a Bruxelas e as
previsões de outono da Comissão, a instituição aponta estimar-se em
Portugal, no próximo ano, “que o crescimento das despesas correntes
financiadas ao nível nacional se aproxime do crescimento potencial do
produto a médio prazo, assumindo a redução planeada das medidas em
resposta aos elevados preços da energia, incluindo no apoio temporário e
direcionado às famílias e empresas vulneráveis”.“Por
conseguinte, o crescimento da despesa corrente primária financiada ao
nível nacional corre o risco de não estar de acordo com a recomendação
do Conselho”, assinala Bruxelas.Na
recomendação do Conselho de meados de julho, lia-se que Portugal devia,
em 2023, “assegurar uma política orçamental prudente, em particular
limitando o crescimento da despesa corrente primária financiada a nível
nacional abaixo do crescimento potencial da produção a médio prazo,
tendo em conta a continuação do apoio temporário e direcionado às
famílias e empresas mais vulneráveis ao aumento dos preços da energia e
às pessoas que fogem da Ucrânia”.Já na
comunicação hoje divulgada, a Comissão Europeia vinca “ser da opinião
que o projeto de plano orçamento de Portugal corre o risco de estar
apenas parcialmente em conformidade com as orientações orçamentais
contidas na recomendação do Conselho” pois, embora o país “tenha
rapidamente implementado medidas energéticas como parte da resposta
política de emergência aos aumentos excecionais dos preços da energia,
um prolongamento das medidas de apoio existentes e/ou uma promulgação de
novas medidas de apoio em resposta aos preços elevados da energia
contribuiria para um maior crescimento das despesas correntes líquidas
financiadas a nível nacional e para um aumento do défice e da dívida
pública projetados para 2023”.“Por
conseguinte, é importante que os Estados-membros concentrem melhor essas
medidas nas famílias mais vulneráveis e nas empresas expostas, a fim de
preservar os incentivos para reduzir a procura de energia, e que sejam
retiradas à medida que as pressões sobre os preços da energia diminuam”,
insiste Bruxelas.Para o executivo
comunitário, Portugal também “fez progressos limitados no que diz
respeito à parte estrutural das recomendações orçamentais […] e convida
assim as autoridades a acelerar os progressos”.O
Conselho recomendou a Portugal, em meados de julho, que em 2023
prosseguisse “uma política orçamental destinada a alcançar posições
orçamentais prudentes a médio prazo e assegurar uma redução credível e
gradual da dívida e sustentabilidade orçamental a médio prazo através da
consolidação gradual, investimento e reformas”.Em
meados de outubro, o Governo entregou na Assembleia da República a
proposta de OE2023, que prevê que a economia portuguesa cresça 1,3% em
2023 e registe um défice orçamental de 0,9% do Produto Interno Bruto
(PIB).