Comissão Europeia destaca “evolução positiva” da posição orçamental de Portugal
18 de dez. de 2024, 13:03
— Lusa/AO Online
No
dia em que a instituição divulgou a sua parte do pacote de outono do
Semestre Europeu, à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu na
cidade francesa de Estrasburgo, o comissário europeu da Economia e
Produtividade, Valdis Dombrovskis, destacou em conferência de imprensa
que “Portugal está a ter um forte desempenho económico, bem como uma
forte posição orçamental, com excedente”.“A
nossa avaliação, também no âmbito do procedimento relativo aos
desequilíbrios macroeconómicos, é que Portugal não está a sofrer
desequilíbrios macroeconómicos e, em suma, do ponto de vista económico,
vemos uma evolução positiva”, acrescentou Valdis Dombrovskis.As
declarações ocorrem, porém, dias depois de o Banco de Portugal (BdP)
ter estimado que o país vai regressar a uma situação deficitária em
2025, com um défice de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o que
contraria as projeções do Governo de um excedente orçamental.No
Orçamento do Estado para 2025, o Governo estima um excedente de 0,3% em
2025, sendo que, segundo o plano orçamental de médio prazo enviado a
Bruxelas, projeta também um saldo orçamental positivo até 2028.Já
nas previsões do banco central português, é indicado que Portugal
poderá registar um défice de 1% do PIB em 2026 e de 0,9% em 2027.Foi publicado, no âmbito do pacote de outono do Semestre Europeu,
um relatório sobre o emprego na União Europeia (UE), no qual o executivo
comunitário considera que a eficácia da Segurança Social em Portugal na
atenuação da pobreza e das desigualdades de rendimento se deteriorou,
falando numa “situação crítica” por os apoios sociais não terem
acompanhado o aumento dos preços.“A
eficácia do sistema de proteção social português na atenuação dos riscos
de pobreza e na redução das desigualdades de rendimento deteriorou-se.
Em 2023, o impacto das transferências sociais - com exceção das pensões -
na redução da pobreza diminuiu 3,9 pontos percentuais, situando-se em
19,8% contra 34,7% na União Europeia, o que indica uma ‘situação
crítica’”, refere o executivo comunitário.Certo
é que, apesar dos avisos, “Portugal não parece enfrentar riscos
potenciais para uma convergência social ascendente”, assegura a
instituição no relatório.Isso mesmo foi
indicado pela vice-presidente executiva para os Direitos Sociais, Roxana
Mînzatu, que na conferência de imprensa disse aos jornalistas não
assinalar “quaisquer riscos ou vulnerabilidades específicos” referentes a
Portugal, adiantando já se ter reunido com ministros portugueses para
discutir “projetos futuros” em termos de mobilidade laboral,
competências e aspetos sociais.O Semestre
Europeu é um exercício anual de coordenação das políticas económicas e
sociais da UE, no qual do qual os Estados-membros alinham os seus
orçamentos com os objetivos e as regras acordadas ao nível comunitário.