Comissão de Transparência recusa pronunciar-se sobre Pizarro alegando falta de competência formal
11 de out. de 2022, 16:29
— Lusa/AO Online
Na reunião, os
deputados da 14.ª comissão parlamentar decidiram que a comissão “é
incompetente para analisar o requerimento” pedido pelo Chega.Esta
decisão foi aprovada com votos a favor de todos os partidos presentes
(o BE não estava na sala), à exceção do Chega, que votou contra.O
Chega pediu à Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados um
parecer sobre “à possibilidade de existência de conflito de interesses
relativamente à circunstância de o ministro da Saúde, Manuel Pizarro,
ter na sua tutela a Ordem dos Nutricionistas, cuja bastonária é a sua
esposa”.Na exposição do pedido, o deputado
Rui Paulo Sousa citou o Código de Conduta do Governo, que refere que
“considera-se que existe conflito de interesses quando os membros do
Governo se encontrem numa situação em virtude da qual se possa, com
razoabilidade, duvidar seriamente da imparcialidade da sua conduta ou
decisão”.A deputada Emília Cerqueira, do
PSD, defendeu que esta comissão parlamentar não tem “competência
própria” para analisar o caso “nesta fase declarativa, pelo menos”, e
que “não deveria haver lugar à emissão de parecer, apenas e só por uma
questão formal, não pela substância”.A social-democrata defendeu essa competência é da Entidade para a Transparência, que ainda não está constituída.“Há
anos que está para ser dotada, efetivamente criada, e não tem sido até
agora. Urge é que a Entidade para a Transparência tenha os meios
necessários para fazer o escrutínio necessário”, defendeu.O deputado Pedro Delgado Alves, do PS, concordou que a “comissão não tem neste contexto competência para se pronunciar”.“Até
à instituição da Entidade para a Transparência, as respetivas
competências são exercidas nos termos do regime transitório, portanto,
ao órgão junto do qual eventualmente a questão suscite, seja no plano da
aplicação interna do código de conduta do Governo seja, no limite,
junto de quem faz a avaliação dos registos de interesses. Mas de
qualquer forma, num cenário ou noutro, a Comissão da Transparência não é
a entidade competente para estes titulares de cargos”, defendeu.No
mesmo sentido, a comunista Alma Rivera considerou que “não há outra
alternativa senão chegar à conclusão” que a comissão não tem
“competência na matéria”.O líder
parlamentar da Iniciativa Liberal, Rodrigo Saraiva, partilhou da opinião
que a Comissão de Transparência “não é competente para esta análise” e
salientou que “fica mais uma vez bastante patente a necessidade da
Entidade para a Transparência de uma vez por todas ser capacitada para
começar a funcionar porque são claramente competências que lhe
competirão”.Depois de ouvir estas posições, o deputado Rui Paulo Sousa, do Chega, indicou que mantinha o pedido de parecer.A
presidente da comissão, a socialista Alexandra Leitão, apontou que os
partidos se pronunciaram “maioritariamente pelo entendimento de que há
uma incompetência da comissão” e considerou não “valer a pena distribuir
um parecer para se escrever isto mesmo”.E propôs que ficasse em ata que “foi esta a decisão”.