Comissão de Proteção de Dados abre processo por divulgação dos nomes de menores pelo Chega
16 de jul. de 2025, 11:46
— Lusa/AO Online
“A CNPD informa que, na
sequência das diversas queixas apresentadas, foi aberto um processo de
averiguações que corre os seus termos legais”, respondeu a
instituição à Agência Lusa.Tendo em conta
que o processo está a decorrer, “a CNPD não se pode pronunciar” sobre o
número de queixas, nem os motivos, pode ainda ler-se na resposta. Dirigentes
associativos, partidos políticos e cidadãos anunciaram publicamente que
iriam apresentar queixa contra o facto de o Chega ter divulgado nomes
de origem estrangeira de crianças que frequentam uma escola portuguesa,
considerando que passaram à frente na lista de menores de nacionalidade
portuguesa. O organismo presidido por
Paula Meira Lourenço irá avaliar o caso, e caso seja dada razão às
queixas, por violação do Regime Geral de Proteção de Dados (RGPD), o
alvo pode ter de pagar uma multa.A divulgação dos nomes foi feita durante o debate parlamentar às alterações da lei da nacionalidade. “Estes senhores são zero portugueses”, disse André Ventura, perante os aplausos de pé da sua bancada.Da
bancada do PS, ouviu-se “isso é crime” e todos os partidos de esquerda
contestaram o facto de o presidente então em exercício do parlamento, o
socialista Marcos Perestrelo, tenha autorizado aquilo que diziam ser um
“número para ser replicado em redes sociais”, quando não se sabe sequer
qual o tipo de nacionalidade desses menores.Marcos
Perestrelo disse que os nomes não permitiam identificar as crianças em
causa, uma posição secundada pelo presidente da Assembleia, José Pedro
Aguiar-Branco.Na véspera, a deputada Rita
Matias leu igualmente, num vídeo no Tik Tok, os nomes de alunos com
nomes e apelidos estrangeiros dessa lista. No
debate parlamentar, André Ventura disse que a lista era “pública”, mas
Rita Matias admitiu posteriormente que não tinha confirmado a
“veracidade” dos nomes.