Comissão de investigação vai enviar mais casos de abusos na Igreja para o MP
10 de mai. de 2022, 12:02
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas à margem da conferência “Abuso Sexual de
Crianças: Conhecer o Passado, Cuidar do Futuro”, organizada pela
Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as
Crianças na Igreja Católica Portuguesa, o pedopsiquiatra Pedro Strecht
referiu que “já foram enviados 16 [casos para o Ministério Público], mas
em breve seguirão mais”, manifestando a expectativa de uma atuação
célere da justiça.“Já manifestei o desejo
de celeridade da resposta da justiça portuguesa. Nem sempre é aquele que
desejamos, mas neste caso é muito importante chegarmos ao final do
trabalho, apresentarmos o relatório e, mesmo que seja preciso algum
tempo, as pessoas sentirem que no aspeto de uma justiça reparadora
aconteceu algo. Enquanto coordenador da comissão, não desejo chegar ao
final destes trabalhos, decorrer algum tempo que ainda possamos achar
justo e, depois, ser confrontado com uma total ausência de respostas
jurídicas”, explicou.Pedro Strecht disse
esperar “que isso não vá acontecer”, realçando o “material que já foi
enviado”, mas também aquele “que muito em breve será enviado” e outras
descobertas que possam ainda ser feitas ao longo do trabalho da Comissão
Independente.Num balanço dos primeiros
três meses de trabalho, feito no passado dia 12 de abril, o antigo
ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio, que integra igualmente a
Comissão, precisou que entre os 290 testemunhos até então validados, 16
ainda não prescreveram e, por isso, foram remetidos ao Ministério
Público. Hoje, a comissão anunciou que há 326 depoimentos de vítimas
recolhidos.As denúncias e testemunhos
podem chegar à comissão através do preenchimento de um inquérito
'online' em darvozaosilencio.org, através do número de telemóvel
+351917110000 (diariamente entre as 10h00 e as 20h00), por correio
eletrónico, em geral@darvozaosilencio.org e por carta para "Comissão Independente", Apartado 012079, EC Picoas 1061-011 Lisboa.A
comissão integra ainda a investigadora e socióloga Ana Nunes Almeida, o
psiquiatra Daniel Sampaio, a assistente social e terapeuta familiar
Filipa Tavares e a realizadora Catarina Vasconcelos.