Comissão de inquérito diz que linha de crédito do Governo da Madeira foi exemplar
Covid-19
28 de nov. de 2022, 13:20
— Lusa/AO Online
“Foi
uma linha implementada muito rapidamente e foi fundamental porque
evitou o colapso financeiro de muitas empresas, evitou a perda de postos
de trabalho”, disse o deputado social-democrata Brício Araújo,
responsável pela elaboração do relatório.A
comissão de inquérito sobre falhas na operacionalização da linha de
crédito às empresas afetadas pela crise pandémica entre 2020 e 2022 foi
constituída a pedido do PS, o maior partido da oposição madeirense, com
19 dos 47 deputados que compõem o parlamento regional, e o relatório dos
trabalhos foi hoje aprovado por maioria.Os
quatro do PSD e o deputado do CDS-PP votaram a favor, ao passo que os
três deputados do PS votaram contra e o deputado do PCP absteve-se.“Fica
muito claro que a Madeira foi exemplo [para o país]”, sublinhou o
relator, vincando, no entanto, que foram sinalizadas “algumas
preocupações” dos empresários, nomeadamente relacionadas com os
mecanismos de regularização de dívidas ao Fisco e à Segurança Social,
condição determinante para acesso ao crédito, mas que dependem do
Estado. A linha INVEST RAM garantiu apoio a
cerca de 2.500 empresas madeirenses, num universo composto por 29 mil
empresas, das quais 18 mil são em nome individual e 21 têm o estatuto de
grande empresa.A INVEST RAM, com uma
dotação inicial de 100 milhões de euros, foi criada para cobrir o
pagamento dos custos salariais das empresas, numa altura em que 60% da
atividade empresarial da região estava paralisada, permitindo a
reconversão do apoio em fundo perdido mediante determinadas condições,
como quebras de 40% da faturação na ilha da Madeira e de 15% no Porto
Santo e ausência de despedimentos e de dívidas ao Fisco e à Segurança
Social.A linha, cujo prazo para entrega de
candidaturas terminou em junho deste ano, já processou cerca de 42
milhões de euros, mas ainda decorre o período para a eventual conversão
do crédito em fundo perdido, razão pela qual o relator da comissão de
inquérito considera que a iniciativa do PS, ao requerer a sua
constituição, foi “precipitada”.“O prazo
de execução de verbas a fundo perdido ainda decorre e isso impede a
avaliação mais rigorosa e exaustiva [da operacionalização da linha]”,
declarou Brício Araújo. O deputado do PS
Vitor Freiras reagiu, afirmando haver uma “série de incompreensões” na
interpretação dos documentos que formalizaram a INVEST RAM e, por outro
lado, alertou para o facto de apenas 10% das empresas madeirenses terem
tido acesso ao crédito. Também disse que
não ficou esclarecido quais os critérios que estabeleceram quebras de
faturação de 40% (Madeira) e 15% (Porto Santo) para acesso ao crédito,
nem por que razão do total de 100 milhões de euros só foram encaminhados
cerca de 40 milhões para as empresas até agora. Ricardo
Lume, do PCP, seguiu o mesmo raciocínio, declarando que “alguns dos
principais objetivos da linha não se concretizaram”, tendo em conta que
82,5% das empresas madeirenses “foram excluídas à partida”, pelo que
considerou que, em parte, a INVEST RAM foi “uma fraude”. O
relatório da comissão de inquérito, na qual foram ouvidos o secretário
regional da Economia, Rui Barreto, o presidente da ACIF-Câmara de
Comércio e Indústria da Madeira, Jorge Veiga França, e o presidente do
Instituto de Desenvolvimento Empresarial (IDE), Duarte Freitas, entidade
responsável pela gestão da INVEST RAM, segue agora para debate em
plenário.