Comissão de inquérito ao setor público empresarial dos Açores requer mais audições e documentos
27 de nov. de 2018, 09:51
— Lusa/AO Online
"Foi
deliberado proceder às audições não só dos membros do Governo com a
tutela sobre a SPRHI (sociedade de promoção da reconstrução de habitação
e infraestruturas), da ATA (Associação de Turismo dos Açores) e da
Lotaçor (empresa açoriana de lotas), bem como os responsáveis dessas
empresas", explicou João Bruto da Costa, presidente da comissão de
inquérito, à saída da reunião, realizada na sede do parlamento regional,
na Horta, ilha do Faial.Segundo
o parlamentar social-democrata, estão também agendadas, para os dias 19
e 20 de dezembro, as audições, em sede de comissão, ao antigo
presidente do conselho de administração da transportadora SATA Luís
Parreirão e ao atual presidente do Governo Regional, o socialista Vasco
Cordeiro, que já teve o aval do Conselho de Estado, para ser inquirido
na comissão.As
audições foram aprovadas por unanimidade, mas o mesmo já não aconteceu
em relação a documentos relacionados com a SATA, cuja fotocópia foi
requerida pelos deputados do PSD com assento na comissão de inquérito.Estes acabaram por os requerer de forma potestativa, impondo a sua posição em relação aos deputados do PS, que estão em maioria."Nós
propusemos que fosse requerido o contrato de aluguer do A330, o
conhecido [avião com o desenho de um] cachalote, que o representante do
Sindicato Nacional do Pessoal de Voo considerou ser danoso para a SATA e
também porque o presidente da companhia disse que esse contrato teria
um custo anual de 12 milhões de euros", justificou António Vasco
Viveiros, deputado do PSD, que pretende saber até que ponto esse
contrato contribuiu para a situação de falência técnica da empresa.O
deputado do PS Francisco César declarou aos jornalistas, no final da
reunião, que o seu partido tinha votado contra a requisição de fotocópia
desse contrato, apenas porque os partidos já tinham acordado que não
iriam requerer mais documentos, para não fazer atrasar os trabalhos da
comissão, que deverão ficar concluídos até ao final de janeiro de 2019."A
partir do momento em que passou a ficar estipulado que, afinal, se
poderia voltar a pedir documentos, não fizemos qualquer tipo de
questão", justificou o parlamentar socialista, observando que,
ultrapassado este "pormenor", o próprio PS acabou por requerer outros
documentos, juntamente com o CDS.Um
desses documentos diz respeito a um alegado acordo efetuado entre a
SATA e um técnico de manutenção que trabalhava para a empresa, mas que
terá sido despedido pela companhia aérea, e também um alegado estudo,
anunciado por um dirigente sindical, sobre a viabilidade dos aviões A330
e A340, da frota da SATA."Nós
pedimos esses dois documentos que achamos muito pertinentes e que nos
poderão ajudar a chegar à conclusão do que se passou e de como chegou a
SATA a este estado", justificou Artur Lima, deputado do CDS-PP, em
declarações à comunicação social.A
Comissão de Inquérito ao Setor Público Empresarial, criada para
investigar a atividade das empresas públicas açorianas, elegeu também um
novo relator, António Vasco Viveiros, da bancada do PSD, que irá
substituir no cargo Paulo Parece, que morreu recentemente.