Comissão de inquérito ao incêndio no HDES envia relatório ao Ministério Público
16 de jun. de 2025, 17:53
— Lusa/AO Online
“Propomos
uma deliberação que remeta ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público
este mesmo relatório”, justificou Joaquim Machado, deputado do PSD,
durante os trabalhos da comissão, adiantando que esta proposta,
destinada a clarificar a legalidade das medidas tomadas pelo Governo
Regional de coligação (PSD/CDS-PP/PPM), pretende garantir também a
“absoluta transparência” sobre estas matérias.A
proposta social-democrata, que deixou perplexos alguns dos deputados
que integram a comissão de inquérito, surgiu na sequência das suspeições
levantadas pela bancada do Partido Socialista, que apresentou em
comissão propostas de conclusões que denunciavam a “falta de
transparência” no processo de construção do hospital modular, edificado
junto ao edifício principal, após o incêndio de 4 de maio de 2024.“Relativamente
a conclusões que foram inicialmente formuladas e que foram ratificadas
hoje, sobre dúvidas de legalidade e regularidade financeira, são,
exatamente, matérias que vão ser aferidas pelo Tribunal de Contas”,
insistiu Carlos Silva, deputado socialista, acrescentando que, em
qualquer dos casos, o relatório seria sempre remetido ao TdC e ao MP.O
relatório final da comissão de inquérito acabou aprovado por
unanimidade, apesar da versão inicial do documento, já divulgado
previamente pela comunicação social, ter merecido a contestação dos
deputados do PSD, que alegavam “falta de rigor e de transparência” do
documento, que acusavam de apresentar “ilações graves”.“O
relatório de uma comissão de inquérito, obviamente que não se compadece
com imprecisões, omissões ou leituras enviesadas”, lamentou, no início
da reunião, a deputada social-democrata Délia Melo, referindo-se às
conclusões sobre a alegada falta de transparência relativamente às
opções do Governo pela construção do hospital modular.Inicialmente,
PSD e PS estavam divididos sobre esta matéria, mas a opinião da
deputada do Chega, Olivéria Santos, acabou por ser determinante para a
clarificação desta matéria, quando também ela se colocou ao lado dos
socialistas, apresentando dúvidas sobre este investimento, cujo
orçamento inicial rondava os 12 milhões de euros, mas que acabou por
custar cerca de três vezes mais.“Houve
muitas situações que foram escondidas, houve omissão de muitos
pormenores relativamente ao processo de aquisição do modular”, recordou
Olivéria Santos, lamentando que este tenha sido um processo “que não foi
transparente”.Os socialistas entendem
também que a construção do hospital modular não foi feita com base nos
devidos estudos financeiros, mas os sociais-democratas justificam o
investimento com “critérios clínicos”, apoiados pela posição da Ordem
dos Médicos e da Ordem dos Enfermeiros.Outro
dos temas que separava os dois principais partidos com assento na
comissão de inquérito, tem a ver com a possibilidade de o edifício
principal do HDES ter sido reabilitado e de poder reabrir, antes mesmo
da construção do hospital modular.O
relatório final da comissão de inquérito será agora enviado ao
presidente da Assembleia Legislativa dos Açores, Luís Garcia, e será depois remetido para apresentação em plenário,
provavelmente na sessão legislativa de julho, antes da interrupção para
as férias de verão.