Comissão de inquérito agenda audição de Albuquerque para 31 de outubro
Incêndios/Madeira
21 de out. de 2024, 12:04
— Lusa/AO Online
De
acordo com a calendarização aprovada, Miguel Albuquerque, que
poderá decidir responder por escrito à comissão, será ouvido às 14h00.A primeira personalidade a ser ouvida será o secretário regional da Proteção Civil e Saúde, Pedro Ramos, em 29 de outubro.A
comissão parlamentar de inquérito agendou ainda as audições do
investigador Duarte Caldeira e do professor Miguel Sequeira para 04 de
novembro, do engenheiro João Silva (06 de novembro), do secretário-geral
do Sindicato Nacional de Proteção Civil, José Velho (11 de novembro),
do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes (20 de
novembro), do comandante da companhia de Bombeiros Sapadores de Santa
Cruz, Leonardo Pereira (26 de novembro), e do presidente do Serviço
Regional de Proteção Civil, António Nunes (28 de novembro).Estão
previstas outras 10 audições, sendo que no decurso dos trabalhos podem
sempre ser pedidas mais auscultações ou mais documentação, conforme
indicou a presidente da comissão de inquérito, Sancha Campanella (PS).Não
foram agendadas audições para dezembro, pois será um mês marcado pela
discussão do Orçamento Regional para 2025, referiu a socialista. Em
causa está o incêndio rural que deflagrou na ilha da Madeira em 14 de
agosto, nas serras do município da Ribeira Brava, propagando-se
progressivamente aos concelhos de Câmara de Lobos, Ponta do Sol e
Santana. No dia 26, ao fim de 13 dias, a Proteção Civil regional indicou
que o fogo estava "totalmente extinto".Dados
do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais apontam
para 5.104 hectares de área ardida, embora as autoridades regionais
tenham sinalizado 5.116.Segundo o
executivo madeirense, não houve registo de feridos ou da destruição de
casas e infraestruturas públicas essenciais, mas foram atingidas áreas
florestais e pequenas produções agrícolas.A 05 de setembro, o presidente do PS/Madeira, Paulo Cafôfo, anunciou que o
partido tinha requerido uma comissão parlamentar, considerando ser
“imperativo averiguar minuciosamente tudo o que se passou desde o início
do fogo, no dia 14 de agosto, até à sua extinção, declarada no dia 26,
escrutinando todos os passos que foram dados e a estratégia e a ação
seguidas pelos membros do Governo Regional com responsabilidades em
matéria de proteção civil”.O dirigente
socialista referiu que o processo de gestão do incêndio rural “ficou
marcado pelas contradições entre os responsáveis políticos e
operacionais e por uma evidente descoordenação na gestão do combate ao
fogo”.Com a constituição da comissão de
inquérito, “na qual deverão ser ouvidos os governantes, mas também
especialistas e técnicos”, os socialistas pretendem “apreciar os atos
praticados, direta ou indiretamente, pelo Governo Regional, as
condições, o tempo e os termos em que foi prestada a intervenção e
apurar os meios utilizados”.O regresso do
presidente do Governo Regional, o social-democrata Miguel Albuquerque, à
ilha do Porto Santo, depois de se ter deslocado um dia à Madeira,
enquanto o incêndio se mantinha ativo, e a alegada demora no pedido de
reforço de meios aéreos para o combate ao fogo são questões criticadas
pelos diferentes partidos políticos no arquipélago.
A resposta ao incêndio chegou a motivar a presença de um comandante
de bombeiros na Comissão de Saúde e Proteção Civil do parlamento da
Madeira, por solicitação do JPP, mas as restantes audições neste âmbito
foram anuladas após um requerimento apresentado pelo PS, aprovado por
maioria, alegando que o objetivo destas auscultações era o mesmo da
comissão de inquérito.Mantêm-se, em Lisboa, audições em comissão parlamentar na Assembleia da República.