Comissão de Análise propôs 600 camas e mais espaço para novo hospital de Ponta Delgada
Hoje 14:36
— Lusa
Em entrevista à agência Lusa, o presidente da comissão explicou que o organismo analisou o relatório apresentado pelo conselho de administração do HDES para o novo hospital de Ponta Delgada e “fez um conjunto de sugestões” ao Programa Funcional, que prevê a requalificação da atual infraestrutura e a sua ampliação.A equipa presidida por Luís Maurício sugeriu que “a estrutura renovada do HDES, quer na sua componente de remodelação sobre o edificado existente, quer sobre a parte nova a construir, ficasse contida dentro do perímetro do hospital para que não houvesse necessidade de expropriações”.Segundo o médico, foi ainda proposto um aumento da área do ambulatório, onde se situa a consulta externa e os hospitais de dias, uma vez que o espaço “atualmente já é exíguo”.A comissão defendeu também um aumento da área de consultas, assim como das salas de espera e estruturas de apoio às consultas.“O que já existe é manifestamente insuficiente para os recursos humanos que trabalham no HDES, sendo esta visão a 25 anos, o horizonte que o novo hospital prevê, com a vinda de mais médicos mais enfermeiros, mais técnicos de diagnóstico e terapêutica, devendo o espaço ser maior”, disse.Luís Maurício refere que também foi proposto um aumento da área de internamento “porque, segundo o relatório de contas do HDES de 2024, o número de camas, em média, andou entre as 437 e as 447”, o que considera insuficiente.“Desde logo porque se prevê que, em 2050, a proporção da população idosa seja muito maior do que a atual”, prevendo que, nesta data, 38% da população dos Açores terá 65 ou mais anos”, fundamentou.Atendendo que “este é um hospital de fim de linha, terciário, que dá a resposta que outros não dão”, é “de prever, com o envelhecimento da população, que haja mais doenças” e a “necessidade de um maior número de internamentos”, acrescentou.Luís Maurício refere que o aumento do número de camas proposto foi de 600, o que “não quer dizer que estarão todas abertas à data da inauguração”, mas “a estrutura a construir deve estar infraestruturada se for necessário o aumento do número de camas”.De uma forma geral, as propostas “vão no sentido do bem-estar dos doentes que procuram a instituição, garantindo-lhes uma maior qualidade na prestação de cuidados, melhores condições de trabalho para os profissionais”, sendo que se vai “servir todos os açorianos”, de acordo com o presidente da Comissão de Análise do Plano Funcional do HDES.O Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, o maior hospital dos Açores, vai ser alvo de obras de requalificação e modernização na sequência do incêndio de 04 de maio de 2024 e que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente.Após o incêndio, foi construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.Na quinta-feira, a secretária regional da Saúde revelou que o Governo Regional dos Açores já recebeu o programa funcional reformulado do futuro HDES, que prevê a requalificação da atual infraestrutura e a ampliação.“Os traços gerais do programa vão ao encontro daquelas que tinham sido as recomendações que o Governo Regional tinha dado: a concentração dos serviços no atual perímetro hospitalar, a utilização da capacidade já instalada, aproveitando a estrutura modular, e, sobretudo, que esta resposta hospitalar fosse moderna, fosse funcional, estivesse preparada para o futuro e que obedecesse à requalificação, à reorganização e ao redimensionamento do HDES”, disse Mónica Seidi à Lusa.O programa funcional deverá ser discutido em Conselho de Governo este mês, seguindo-se a criação de um programa preliminar e de um projeto de execução.