Comissão de Ambiente quer que processo de descontaminção tenha avanços em dezembro
11 de out. de 2017, 07:33
— Lusa/AO Online
“O Governo português tem de ser
muito firme e essa é aliás uma das nossas determinações: colocar este
problema junto do Governo português e exigir firmeza, exigir que na
próxima reunião da Comissão Bilateral [Permanente], que julgo será em
dezembro, este problema tenha um avanço significativo e que não seja
permitido que as autoridades norte-americanas continuem a protelar
soluções que são absolutamente urgentes”, adiantou.Pedro Soares
falava, em declarações à Lusa, no final de uma deslocação de três dias
aos Açores da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território,
Descentralização, Poder Local e Habitação, que terminou com uma visita a
alguns locais contaminados por hidrocarbonetos e metais pesados no
concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, onde está localizada a
base das Lajes, utilizada pela Força Aérea norte-americana. A
contaminação, da responsabilidade dos militares norte-americanos, foi
identificada pelos próprios, em 2005, e confirmada pelo Laboratório
Nacional de Engenharia Civil, em 2009, mas segundo o deputado que
preside a Comissão de Ambiente, pouco foi feito para resolver o passivo
ambiental. “As iniciativas que há são residuais e portanto o que
se pode dizer em termos gerais é que não há um processo de
descontaminação, não há a definição de uma metodologia, nem há a
definição de um programa. E isto é grave”, frisou.Segundo Pedro
Soares, apesar de não existir um problema de saúde pública iminente,
porque as autoridades locais e regionais têm monitorizado a qualidade da
água com rigor, “a situação é grave” e exige uma intervenção mais
célere. “Existem 38 locais com uma grande probabilidade de
estarem contaminados com hidrocarbonetos. Também existem áreas onde há
resíduos de amianto enterrados”, apontou, acrescentando que até ao
momento só foi feita a monitorização de quatro sítios por parte das
autoridades norte-americanas. De acordo com o deputado, há perigo
de que a contaminação atinja os lençóis freáticos e que os resíduos de
amianto se tornem nocivos à saúde por via aérea. “Nós sabemos que
foram despejados hidrocarbonetos para o solo. Nós sabemos que existem
neste momento depósitos que têm 240 milhões de litros de combustível
ainda, numa área em que a probabilidade de estar contaminada é elevada”,
salientou.Para o presidente da Comissão de Ambiente, as
autoridades norte-americanas têm de assumir a responsabilidade pelos
danos causados e encontrar metodologias e meios para resolver o problema
com urgência.“Sem que este processo seja colocado em marcha, o
horizonte temporal para que a descontaminação se faça por ordem natural
das coisas será de gerações. Mesmo com uma ação muito proativa por parte
das autoridades norte-americanas no sentido da descontaminação, isto
poderia demorar mais de uma década”, frisou.Pedro Soares
considerou que a visita aos Açores trouxe uma maior sensibilização aos
deputados da Comissão de Ambiente, independentemente da cor política,
admitindo que muitos “não tinham noção de que a situação era tão grave”.