Comissão admite indícios de abusos policiais na tragédia em estádio na Indonésia
12 de out. de 2022, 15:59
— Lusa/AO Online
Em conferência de imprensa, um
responsável da comissão referiu que o gás lacrimogéneo lançado para
tentar conter as centenas de adeptos foi uma das principais causas da
morte de 132 pessoas.“A queda de muitas
vítimas foi provocada pelo lançamento de gás lacrimogéneo, sobretudo na
zona das bancadas”, afirmou Choirul Anam, indicando que o relatório
final da comissão será entregue na próxima semana.O
uso de gás lacrimogéneo, proibido pela FIFA, é uma das principais
violações a ser investigadas, pois causou a debandada de pessoas num
estádio sem as vias de escoamento adequadas, no desafio entre o Arema,
que jogava em casa, e o Persebaya Surabaia, na cidade de Malang, na ilha
de Java, disputado em 01 de outubro.O
triunfo dos forasteiros, por 3-2, resultou no desagrado dos locais e
consequente invasão de campo em confronto com as autoridades, que
responderam com o uso de cassetetes e gás lacrimogéneo, na base da
catástrofe num desafio que não contava com adeptos da equipa visitante,
situação acordada entre os oponentes, para evitar confrontos.Segundo
a polícia de Malang, muitas vítimas morreram por asfixia e fraturas ao
tentarem fugir por algumas portas de cerca de um metro e meio,
insuficiência que provocou grande aglomeração de pessoas e fatal para
muitos adeptos. As falhas de segurança no
estádio, apontadas em 2020 e que ainda não foram resolvidas, também são
um dos motivos para explicar a mortandade. Na
semana passada, o presidente da Indonésia, pressionado interna e
externamente pelas imagens da tragédia que deram a volta ao mundo,
ordenou uma “auditoria exaustiva” a todos os estádios do país com o
objetivo de melhorar a segurança nesses recintos.