Começou julgamento histórico que acusa redes sociais de viciar crianças
Hoje 16:49
— Lusa/AO Online
As alegações iniciais do
primeiro julgamento, no Tribunal Superior do Condado de Los Angeles,
começaram segunda-feira, noticiou a agência Associated Press (AP).O
Instagram, da Meta, e o YouTube, da Google, enfrentam acusações de que
as suas plataformas causam dependência e prejudicam deliberadamente
crianças. A TikTok e a Snap (Snapchat), que foram inicialmente citadas no processo, fizeram acordos por valores não divulgados.Os
jurados tiveram um primeiro vislumbre do que será um longo julgamento,
caracterizado por narrativas divergentes dos autores e das restantes
duas empresas de redes sociais nomeadas como rés. Mark
Lanier fez a declaração inicial em nome dos autores e chamou à Meta e à
Google "duas das corporações mais ricas da história" que
"'engenheirizaram' o vício no cérebro das crianças".No
centro do caso de Los Angeles está uma jovem de 19 anos identificada
apenas pelas iniciais "KGM", cujo caso poderá determinar o desfecho de
milhares de outros processos semelhantes contra empresas de redes
sociais. A jovem e outros dois autores
foram selecionados para julgamentos-piloto — essencialmente casos de
teste para que ambos os lados vejam como os seus argumentos se saem
perante um júri e que indemnizações, se houver, podem ser atribuídas,
explicou Clay Calvert, investigador sénior não residente de políticas
tecnológicas do American Enterprise Institute.É
a primeira vez que as empresas apresentam os seus argumentos perante um
júri, e o resultado pode ter efeitos profundos nos seus negócios e na
forma como irão lidar com as crianças que utilizam as suas plataformas.Lanier
apontou que os advogados das empresas "tentarão culpar a menina e os
seus pais pela armadilha que criaram", referindo-se à autora do
processo. A jovem era menor de idade
quando disse ter-se tornado viciada em plataformas de redes sociais, o
que, segundo ela, teve um impacto prejudicial na sua saúde mental.A
juíza Carolyn B. Kuhl referiu que os jurados devem decidir sobre a
responsabilidade da Meta e do YouTube de forma independente durante as
deliberações.Executivos, incluindo o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, deverão testemunhar no julgamento.Os
especialistas estabeleceram paralelos com os julgamentos contra as
grandes empresas de tabaco, que levaram a um acordo em 1998 obrigando as
empresas de cigarros a pagar milhares de milhões em custos de cuidados
de saúde e a restringir o marketing dirigido a menores.As
empresas tecnológicas contestam as alegações de que os seus produtos
prejudicam deliberadamente crianças, citando uma série de medidas de
segurança que têm acrescentado ao longo dos anos e argumentando que não
são responsáveis pelo conteúdo publicado nos seus sites por terceiros.Um
porta-voz da Meta sublinhou num comunicado recente que a empresa
discorda veementemente das alegações apresentadas no processo e que está
"confiante de que as provas demonstrarão o nosso compromisso de longa
data com o apoio aos jovens".José Castañeda, porta-voz da Google, defendeu que as alegações contra o YouTube são "simplesmente falsas".Em
comunicado, frisou: "Proporcionar aos jovens uma experiência mais
segura e saudável sempre foi fundamental para o nosso trabalho".Entretanto, um julgamento separado no Novo México também estava previsto começar com as alegações iniciais a decorrerem hoje.Entretanto, outros países estão a promulgar novas leis para limitar o uso das redes sociais pelas crianças. Na
Austrália, as empresas de redes sociais revogaram o acesso a cerca de
4,7 milhões de contas identificadas como pertencentes a crianças desde
que o país proibiu o uso das plataformas por menores de 16 anos.