Combate às alterações climáticas é “uma maratona e não uma corrida”
COP26
8 de nov. de 2021, 17:54
— Lusa/AO Online
"Preparem-se
para uma maratona, não para uma corrida, porque resolver um problema tão
grande, tão complexo e tão importante nunca aconteceu de uma só vez”,
disse.Num discurso de cerca de uma hora, o
antigo chefe de Estado (entre 2009 e 2017) disse que a COP26 ouviu "boas
e más notícias”, enaltecendo os compromissos feitos, mas reconhecendo
que ainda não se está “nem perto” de onde era preciso estar.“Apesar
do progresso que Paris representou, a maioria dos países não conseguiu
cumprir os planos de ação que estabeleceram há seis anos. E as
consequências de não se mexerem suficientemente rápido estão a tornar-se
mais aparentes”, lamentou.Reconhecendo o
desvanecimento da cooperação internacional nos últimos anos, em parte
devido ao seu sucessor Donald Trump, que fez os EUA saírem do Acordo de
Paris, Obama lamentou a falta de ambição e ausência na COP26 da Rússia e
da China. “Os seus planos nacionais até
agora refletem o que parece ser uma perigosa falta de urgência, uma
vontade de manter a situação atual por parte desses governos, e isso é
uma pena”, estimou.Pelo contrário, elogiou
os jovens por estarem pelos seus esforços para colocarem pressão nos
políticos, encorajando-os a a continuar, por exemplo, a tentar
influenciar também as empresas e serem mais ecológicas.Mas,
vincou, “não será suficiente simplesmente mobilizar os convertidos” ou
forçar os outros a mudar de opinião com manifestações, protestos ou
campanhas nas redes sociais.Para além dos
negacionistas, lembrou, existem "trabalhadores e comunidades que ainda
dependem do carvão para a eletricidade e empregos”.“Para
construir as coligações de base alargada necessárias para uma ação
arrojada, temos que persuadir as pessoas que não concordam connosco ou
são indiferentes ao assunto”, explicou, urgindo os jovens a “canalizar" a
raiva e frustração e a continuarem mobilizados. "Fazer com que as pessoas trabalhem juntas a uma escala mundial demora tempo”, admitiu, e "todas as vitórias serão incompletas”."Às
vezes seremos forçados a contentar-nos com compromissos imperfeitos,
porque mesmo que eles não consigam tudo o que queremos, pelo menos eles
fazem a causa avançar”, disse.Decisores
políticos e milhares de especialistas e ativistas reúnem-se até
sexta-feira na COP26 para atualizar os contributos dos países para a
redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030 e aumentar o
financiamento para ajudar países afetados a enfrentar a crise
climática.A COP26 decorre seis anos após o
Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da
temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 graus celsius acima
dos valores da época pré-industrial.Apesar
dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de
estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração
económica provocada pela pandemia de Covid-19, segundo a ONU, que estima
que ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do
século superiores em 2,7 ºC.